Água fresca... para ideias com sede...

terça-feira, julho 31

COISA DE PULMÕES

Carlos Edu Bernardes

Soprar e inspirar pelo dia a fora. Insff! Saber que seus cabelos insuflam e flutuam nalguma esquina, entre flores, balões, parapeitos e suspiros. Humm! Seu hálito límpido ajuda a melhorar o efeito estufa. Ahhh! Eu sei que vou encontrar você, entre dois acordes de violão ou ouvindo um papo-de-anjo estourar numa recepção. Pááá! Seu cheiro vai descobrir que o meu amor está ali, escondido naquele respirar tímido que acompanha seus passos quando você cata moedinhas para os chicletes. Tilim-tilim! Ploc! Deixei de fumar na segunda, pois a partir desta terça eu passei a inalar tudo que lembra você.

domingo, julho 29

Homem Nu Faca No Bolso - Por Nástio Mosquito

Mulher Fósforo - 2006
Impressão sobre alumínio - 100 x 150 cm
Colecção Sindika Dokolo
Presente na Bienal de Veneza 2007






Nástio Mosquito é um talentoso angolano nascido em 1981 e que se tem destacado pela acutilância ferina dos seus textos que tem apresentado nos mais diferentes formatos.

Depois de ter apresentado com retumbante sucesso durante uma temporada no bar espaço Bahia o espectáculo Beijinho no Rabo, e de uma adaptação rádiofónica do mesmo show para o programa Audiência Zero da LAC (Luanda Antena Comercial), Nástio Mosquito prepara agora a versão musical do seu Beijinho no Rabo que deverá ser publicada na segunda metade de 2007 e que levará o nome Homem Nu Faca No Bolso.

Conheça melhor este projecto e oiça algumas das fantásticas músicas de Nástio Mosquito em http://www.myspace.com/homemnufacanobolso

Conheça melhor Nástio Mosquito Aqui


sábado, julho 28

Stop Child Executions

De acordo com as Nações Unidas, uma criança é qualquer pessoa com idade inferior a 18 anos.


A mentora desta campanha é Nazanin Afshin-Jam, que tenta anular as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores.

Assine a petição AQUI

sexta-feira, julho 27

ACIDENTE RADIOATIVO PELA PRIMEIRA VEZ NO PALCO

Desenrolou-se neste mês de julho no palco do Teatro Goiânia Ouro, no centro de Goiânia, Goiás, Brasil, uma peça teatral que relembra um dos episódios mais duros e tristes da existência dessa jovem capital brasileira: o acidente radioativo ocorrido em setembro de 1.987, após a abertura de uma cápsula de Césio 137 por três inocentes e desavisados catadores de papel.

Denominado de Azul Esgotado, pois azul era o pó brilhante extraído da cápsula, o espetáculo contou com três jovens talentos no palco e a mão sensível de uma diretora teatral, Angélica Braga, discípula do irreverente e inventivo Hugo Rodas, diretor uruguaio radicado em Brasília.

Vejamos o que disse a repórter Cida Almeida, que cobriu o acidente na época do acontecido e que acompanhou o processo criativo, cênico e escrito do espetáculo, inclusive é dela a poesia declamada ao fundo durante a performance do gracioso trio: “Coincidentemente, quando se completa 20 anos do acidente, chega aos palcos pela primeira um recorte dessa tragédia, com muita, mas muita sensibilidade no olhar. Durante o mês de julho, Azul Esgotado, modestamente caracterizado como “ensaio coreográfico”, foi apresentado no Teatro Goiânia Ouro, às 20 horas. Mas o espetáculo, pela qualidade e força cênica, deve rodar os principais circuitos culturais do Brasil. Já passou por audições em Santa Catarina e São Paulo, onde impressionou e aguçou curiosidades, principalmente porque a maioria do público nunca ouviu falar no acidente radioativo de Goiânia”. E ela continua: “No princípio era a cor. E a cor era azul. Azul! Azul desejado, reverenciado, procurado à exaustão, como metáfora da irreal e fugaz felicidade. Azul desbotado. Azul das fases geniais dos mestres da pintura. Que sonho as bailarinas azuis de Degas! Azul néon das ruas, de jeans, índigo blue. Azul de tudo bem, tudo azul. Azul da cor do céu. Azul da cor do mar. Azul pertinho e azul de longe, muito longe, anos luz de azul. Azul dos olhos de Sinatra e da esplendorosa visão de Neil Armstrong, que pisou na lua e balbuciou: a Terra é azul. Azul de sonho, de luz de palco, de momentos de combustão na chama. Azul de césio-137, azul de ciência encapsulada, azul de letal segredo violado... Azul em pó, dançando de mãos em mãos numa perversa ciranda radioativa no quintal”.

Num jogo de luzes embasado no azul, um azul que em momento algum deixa de denunciar a tristeza progressiva do trágico resultado do episódio, vemos flutuar pelo palco do teatro a bailarina Fernanda Costa, de apenas 14 anos (sobrinha e afilhada deste que vos escreve), e os atores Rodrigo Cunha e Vanessa Ruiz. A voz de Carolina Braga, jovem cantora lírica de apenas 16 anos, e que recebeu um convite para cantar no Japão, dá o tom angelical ao fim do último ato, com uma ária que nos transporta, entontecidos, às alturas.

A repórter Cida Almeida conta mais: “Azul Esgotado é mais que um ensaio coreográfico, realizado pelo Núcleo de Pesquisa da Escola de Teatro e Dança Vivace. Dança, música, teatro e poesia, linguagens que se entrelaçam para narrar no palco um drama com todos os tons de realismo fantástico, se não fosse de fato real e não tivesse de fato acontecido. Mais que um drama, uma tragédia. O fantástico fica por conta da nossa incredulidade dessa tragédia moderna ter acontecido no nosso quintal. E moderna porque une no mesmo fio o máximo da conquista científica e tecnológica do homem – a fissura do átomo e o uso dos elementos radioativos para a cura do câncer – e o descaso e a ignorância. Essa tragédia narrada em Azul Esgotado é o acidente radioativo de Goiânia, ocorrido em setembro de 1987”.

“Às vésperas de se completar vinte anos do acidente, a história já rendeu livros (precipitados), filme e documentários. Considerado o maior acidente radioativo doméstico da história, a tragédia do Césio 137 fez quatro vítimas fatais (logo após a descoberta do acidente, entre elas a menina Leide das Neves Ferreira, que chegou a ingerir césio, transformando-se numa fonte radioativa viva), centenas de vítimas diretas e outras indiretas. Pior que o rastro de contaminação deixado pelo césio foi a discriminação engatilhada no day after“.

“Vinte anos é tempo suficiente para embalar o esquecimento. Pouco se fala do acidente, que teve um enredo tão difícil de acreditar que nem o mais inventivo autor de ficção científica ousaria imaginá-lo. Catadores de papel furtam parte de um aparelho de radioterapia deixado nos escombros de uma clínica abandonada. A peça é aberta a marretadas em um ferro-velho na região central de Goiânia e a cápsula de césio violada. A pastilha de césio, que emitia uma luz azul brilhante, começa a ser distribuída em pedaços, pequenas pedrinhas, entre vizinhos e amigos curiosos. Tem gente que levou pra casa no bolso da calça. Outros inventaram brincadeiras lúdicas com aquele pó que brilhava na escuridão, como Ivo Alves Ferreira (já falecido), pai da menina Leide das Neves. Os dois espalharam o pó, apagaram as luzes, e sonharam com uma cidadezinha de fantasia brilhando na noite daquele setembro de 1987, tamanho o fascínio da luz azul emitida pelo Césio 137”.

“Acidente do descaso e da ignorância. Descaso porque todas as pessoas e instituições que deveriam zelar pela guarda e segurança daquele aparelho falharam. E acidente da ignorância porque a maioria esmagadora das pessoas desconhecia os perigos da radiação e nem poderiam suspeitá-lo tão perto, ao alcance da mão. É cruel, mas toda tragédia tem lá o seu lado pedagógico. O acidente com o césio gerou centenas de pesquisas sobre os efeitos da radiação em seres humanos com os mais variados graus de exposição, técnicas em processos de descontaminação e de controle de resíduos no ambiente, novas normas de segurança, enfim, mais ciência e tecnologia. E a popularização do símbolo da radiação, aquele alerta de perigo que reconhecemos no trevo alaranjado que ostenta algumas salas de hospitais e laboratórios”.

“Uma tragédia azul - E como uma história assim poderia funcionar no palco? Maestria, unindo a idéia do fascínio azul ao minimalismo de três pessoas no palco. É como se abríssemos uma caixinha de música, de onde saltam o encantamento e a ameaça. Antes, apenas um balé silencioso da menina no mundo da partícula de luz azul, amparada em suas evoluções por dois seres de máscaras, trajando macacões brancos, os mesmos que os homens da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) usaram em Goiânia quando entraram nas áreas contaminadas e logo isoladas com fitas amarelas”.

“O balé é encantador, vertiginoso e trágico. A cena é carregada de simbolismo. A menina dança como se estivesse no espaço, às voltas com dois astronautas ou anjos na UTI. A dança tem o ritmo da respiração. De novo astronauta e de novo respirador artificial de uma Unidade de Terapia Intensiva. E a menina conheceu sim o medo dos vidros, das máscaras e do isolamento. Era uma fonte radioativa viva sob os cuidados de atônitos cientistas e médicos no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, onde morreu. E, claro, a música, sempre música, diáfano véu conduzindo a cena. E tem a voz de Carolina Braga, uma ária que embrulha a cena com um véu finíssimo de tristeza”.

“E tem também palavra para fazer recordar e acordar a história. Palavra de lembrar, de ressentir, de doer, de se colocar no lugar do outro, de abraçar, de escutar... Palavra de não deixar calar a tragédia humana que, às vezes, pula o muro e vem dançar no nosso quintal”.

Espetáculo: Azul Esgotado
Coreografia: Angélica Braga
Bailarina: Fernanda Costa
Atores Rodrigo Cunha / Vanessa Ruiz
Canto: Carolina Braga
Concepção: Valéria Braga
Poesia: Cida Almeida
Voz gravada: Valéria Braga

segunda-feira, julho 23

A União Europeia e o Youtube

Vai aquecendo a polémica acerca da promoção do canal Youtube da União Europeia.
Os vídeos sobre a política agrícola da UE e/ou a segurança nas estradas são pouco vistos; mas um vídeo com cenas eróticas do cinema europeu tornou-se, automaticamente, um grande sucesso.

Para o eurodeputado conservador da Grã-Bretanha, Chris Heaton-Harris, a Comissão Europeia anda a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes e um eurodeputado da Polónia, membro da conservadora Liga das Famílias Polacas, acusou a comissão de usar "métodos imorais" para se promover.
O porta-voz da Comissão Europeia, Martin Selmayr, informou que chegou uma onda de reclamações da Polónia sobre uma cena íntima entre dois homens, mas recusou-se a admitir que exista alguma coisa controvérsia sobre o filme. Irritado com o que chamou de "ataque quase religioso à importante diversidade cultural que existe na UE", ele afirmou que as imagens são passagens de filmes premiados e que a Comissão tem muito orgulho da sua rica herança cinematográfica, tendo acrescentado: "A União Europeia não é um reduto de leitores de bíblia; nós acreditamos na liberdade de expressão e na criatividade artística".
Para a vice-presidente da Comissão, Margot Wallstrom, "É muito importante para a Comissão usar todas as formas ao seu dispor para se comunicar com os cidadãos europeus".

O vídeo Film Lovers Will Love This é um de quatro feitos para exibição em cinemas europeus para divulgar um fundo da UE que ajuda a distribuir filmes de sucesso feitos nos países-membros. Mas, só depois da União Europeia ter lançado o seu próprio canal no YouTube, EUtube, é que Film Lovers Will Love This ofuscou os outros vídeos da série.
Nenhum dos autores de e-mails para o site EUtube apresentou objeções sobre o conteúdo sexual. A principal queixa é que são poucos os filmes que estão disponíveis em idiomas que não o inglês, mas os gritos de Film Lovers Will Love This! não precisam de tradução.

domingo, julho 22

MAMUNIA

Mamunia aparecia toda vez que chovia.


A janela quebrada sempre me fazia correr para colar um pedaço de sacola de supermercado na minha vitrola 1976, para que os pingos não a encharcassem.

Era só olhar através do vidro partido e ver Mamunia caminhando pela rua e, de vez em quando, olhando para cima para certificar-se de que as gotas translúcidas estavam mesmo regando os seus cabelos.

Ela e sua blusa incrivelmente branca, sua pele alucinadamente negra, a cabeça bela e altívaga de quem passeia pelos campos.

Mamunia colecionava ventanias e cheiros de árvores secas, bem como poesias de ar e prenúncios de pássaros, que flutuavam ao redor dos seus olhos.

Suas mãos delicadas e imensas, seus braços leves, pontes maleáveis, tateavam toda a vizinhança como se fossem holofotes de rara luz. Gatos, cachorros e músicas gostavam de parar seus mundos quando eram, por seculares frações de segundos, tocados por ela.

Mamunia glorificava a chuva e dançava nas esquinas com o seu hálito quente de verão, soprando calçadas e dando rápidos sustos em descuidados corações.

Era bom saber que ela viajava de nuvem e que semeava relâmpagos e pequenos vaga-lumes nos porões e sótãos.

Um dia Mamunia me deu um beijo na boca e eu nunca mais sofri de solidão.


terça-feira, julho 10

Cama e Mesa, Roberto Carlos

Ahahah, recordar o que eu chamaria de "fino brega" ou "pimba erudito"!

terça-feira, julho 3

segunda-feira, junho 25

SÉKOU TOURÉ

Ahmed Sékou Touré
(Presidente da Guiné de 1958 a 1984)
9-1-1922, Faranah
27-3-1984, Cleveland, Ohio

De religião muçulmana, iniciou a sua carreira política em 1945 como líder sindical, tendo sido co-fundador do Rassenblement Démocratique Áfricain (RDA). Em 1952, reorganizou seu partido (Parti Démocratique de Guinée, PDG) como uma seção do RDA, a partir de pressupostos marxistas. Deputado da Assembleia Nacional Francesa desde 1956, lutou pela independência do seu país, convertendo-se em primeiro-ministro do território autónomo em 1957 e, em 1958, no primeiro presidente e chefe de Governo da Guiné independente. Isolado pelo Ocidente, iniciou uma aproximação política da União Soviética. Construiu um regime ditatorial apoiado numa base ideológica de inspiração marxista, nacionalista e pan-africana, que permitiu um certo progresso, mas que não conseguiu fazer o país sair do subdesenvolvimento económico. Após sua morte, o regime foi liquidado por um golpe militar.

segunda-feira, junho 18

Batismo de Sangue - filme


Levei dez anos para escrever "Batismo de Sangue" (editora Rocco), de 1973, ao sair de quatro anos de prisão, a 1983. Reviver toda a saga de um grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar fez-me sofrer. Revirei a memória, fiz entrevistas e pesquisas, revisitei os locais dos acontecimentos, consultei arquivos. Sim, arquivos. O governo federal, comandado por dois ex-presos políticos (Lula na Presidência e Dilma Rousseff na Casa Civil), desconsidera a memória nacional ao não abrir os arquivos das Forças Armadas. Felizmente existem arquivos fora do controle militar. Sobretudo arquivos vivos, sobreviventes da grande tribulação.

Deu-me trabalho levantar os últimos momentos do líder revolucionário Carlos Marighella e o intrincado cipoal em torno de seu assassinato pela repressão, em 4 de novembro de 1969. E doeu-me descrever em detalhes a paixão e morte de frei Tito de Alencar Lima, levado ao suicídio em 1974, aos 28 anos, em decorrência das torturas sofridas nas dependências do II Exército, em São Paulo. Queriam forçá-lo a assinar confissões falsas e delatar pessoas. Não escutaram senão o silêncio daquele religioso que sabia ser "preferível morrer do que perder a vida", como escreveu em sua Bíblia.

Um dia dei o livro a Helvécio Ratton, que também militou na resistência à ditadura e esteve exilado. Escrevi na dedicatória: "Helvécio, a vida supera a ficção". Diretor de cinema, ele tomou a si o desafio e levou às telas "Batismo de Sangue", que estréia a 20 de abril. As cenas - ambientação precisa dos anos 60 - foram rodadas no Brasil e na França. Integram o elenco Caio Blat (no papel de Frei Tito), Ângelo Antônio (frei Oswaldo), Léo Quintão (frei Fernando), Odilon Esteves (frei Ivo), Daniel de Oliveira (que me interpreta), Marku Ribas (Carlos Marighella), Marcélia Cartaxo (Nildes), Cássio Gabus Mendes (delegado Fleury) e outros.

Filmes nem sempre retratam adequadamente os livros nos quais se inspiram. Em geral, a literatura ganha em profundidade da arte cinematográfica, obrigada a condensar-se num par de horas. O livro, traduzido para o francês e o italiano (e, em breve, para o espanhol), merecedor do mais conceituado prêmio literário do Brasil, o Jabuti, atrai o interesse dos leitores desde sua publicação há 24 anos. Falei ao Helvécio: "Livro é livro, filme é filme; não quero interferir." O máximo que solicitou, a mim e aos frades Fernando de Brito, Oswaldo Rezende e o ex-dominicano Ivo Lesbaupin, foi conversar com os atores sobre a nossa experiência na guerrilha urbana e na prisão. Li o roteiro de Dani Patarra, considerei-o excelente, mas preferi não opinar.

Em março, no Festival de Brasília, vi o filme pela primeira vez. Fiquei transtornado: arrancou-me lágrimas, reavivou-me a indignação contra o arbítrio, ativou-me as teias da emoção, enlevou-me pela trilha sonora, fez-me agradecer a Deus pertencer a uma geração que, aos 20 anos, injetava utopia nas veias. Fiquei embevecido frente à força estética das imagens produzidas pelo talento de Helvécio Ratton. O Festival de Brasília concedeu-lhe os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia (Lauro Escorel). No Festival de Tiradentes, a platéia de mais mil pessoas, a maioria jovens, expressou a emoção em prolongadas palmas.

A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Este é um filme a ser visto especialmente por quem não viveu os anos de chumbo. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido, resgatado à democracia pelos filhos que, por amor e esperança, e sem temer a própria morte, não fugiram à luta.

"Batismo de Sangue" é um hino à liberdade. Nele se revela a história recente de uma nação e a fé libertária de um grupo de cristãos. Emerge, contundente, a subjetividade dos protagonistas, como frei Tito, em quem se transubstanciou a dor em amor, o sofrimento em oblação, as algemas em matéria-prima desta invencível esperança de construirmos um mundo em que a paz seja filha da justiça, e a felicidade, sinônimo de condição humana.

Frei Betto, aqui

Veja aqui a apresentação do filme baseado no livro com o mesmo nome.

Aqui encontrará o site do filme e aqui uma notícia sobre o dia em que os frades dominicanos, ordem a que pertence Frei Betto, foram assistir.

domingo, junho 10

Moringues (31)

domingo, junho 3

Há bonecos e... BONECAS!

Raramente me dou ao trabalho de perder tempo a ler as chamadas revistas "del corazón". A não ser quando espero pela vez no cabeleireiro ou, por artes mágicas, me aparece alguma em casa. Foi o caso deste fim de semana, em que uma aqui caiu de para-quedas.
Folheando-a, dou com uma notícia sobre uma "magnífica" boneca de silicone, que dá pelo nome de KOYUKI, fabricada pela firma Orient Industry, de Tóquio.

Aí está ela:

Se estiver interessado, pode adquirir uma dessas bonecas a partir da módica quantia de 6,589 dólares.
Veja aqui a variedade de corpos, caras e penteados de que dispõe.
Para mais informação sobre o "The Silicone Valley of the Dolls", veja aqui.

quinta-feira, maio 31

Mulheres e a guerra

Fotografia de Jenny Matthews - Serra Leoa

O número de mulheres que, em todo o mundo, sofre os traumas da guerra é incontável: enviuvam, são detidas, separadas dos seus familiares, tornam-se vítimas da violência e de intimidação, são constantemente deslocadas dos seus lugares de origem. São civis inocentes, apanhadas no fogo cruzado, mas sabem com frequência encontrar os recursos e a força para enfrentar as perdas e a destruição que afectam as suas vidas.
Mas há também mulheres que participam activamente na guerra como combatentes. Assim, devem merecer o mesmo respeito que os homens, no caso de serem capturadas ou feridas.

terça-feira, maio 29

PATRICE LUMUMBA

Lumumba foi o primeiro Primeiro Ministro da República do Congo. Nasceu em 2.07.1925, em Sancuru, província de Kasai. Estudou em colégios de missionários católicos e protestantes e posteriormente trabalhou no correio, iniciando suas actividades políticas que visavam a libertação do Congo do colonialismo belga. Percebeu que para isso seria necessário suplantar as diferenças tribais entre as populações negras do Congo. Junto a correlegionários, escreveu uma declaração defendendo a imediata independência do país. Em 1958 fundou o MNC – Movimento Nacional Congolês. Ao contrário de outros partidos, defendia a independência de todo o país e a união de todos os congoleses, independentemente de suas origens tribais. O governo belga e as multinacionais que exploravam as riquezas do país e mantinham seu poder através de violenta repressão, tiveram de lidar com frequentes revoltas populares e a condenação da opinião pública internacional até quando entenderam que não seria mais possível manter o controle sobre o país africano. Após vários aprisionamentos e longas perseguições a Lumumba, visto como um líder radical pelo governo belga, este aceitou negociar. Nas eleições de meio de 1960, o MNC venceu e Lumumba tornou-se Primeiro Ministro, levando a nação congolesa à independência em 30 de Junho. Lumumba buscou externamente um governo de não-alinhamento e internamente buscou promover mudanças na vida social e económica do povo, vítima da exploração belga e das elites tribais locais. Isso provocou a reacção destas que, com o apoio da CIA – governo Eisenhower – e do governo belga,levaram à sua destituição do cargo pelo Presidente Joseph Kasavubu, cuja autoridade para isso foi contestada por Lumumba. O golpe levou ao assassinato de Lumumba na passagem de 17 para 18 de Janeiro de 1961, em Elisabethville, após uma tentativa de fuga frustrada e prolongadas sessões de tortura. O governo foi parar nas mãos de Mobutu Sese Seko, que estabeleceu uma ditadura corrupta e sanguinária que levou o país de volta à submissão à Europa e aos EUA. A vida de Lumumba é um exemplo para todos brasileiros de como governos estrangeiros e imperialistas podem utilizar tribos nativas e suas diferenças culturais para minar o poder de governos de união e integração nacional.

domingo, maio 27

Moringues (30)

terça-feira, maio 22

Luandino em conversa

José Luandino Vieira (18/05/2007)

Não conhecia Luandino a não ser dos seus livros, cujas páginas devorei, numa mistura de recordação e curiosidade. "Ouvindo" palavras que me soavam tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes...
Admirando a "vida" que empresta à sua linguagem, encontrei-me à frente de uma personagem fascinante, numa conversa franca em que deu a conhecer aos presentes uma vida de luta pelos ideais, uma tranquilidade que se vai aprendendo com os mais velhos, os valores da liberdade e da justiça.
Quero crer que foi uma lição de vida aos mais novos presentes. Para os outros, o reconhecimento de que as utopias não morrem e que o nosso mundo pode mudar se nós próprios fizermos todos os dias algo para o melhorar.
Foi muito bom ter ouvido Luandino; melhor ainda quando voltar a encontrá-lo.

sexta-feira, maio 18

MODIBO KEITA

Modibo Keita nasceu a 4 de Junho de 1915, em Bamako, Mali, e morreu a 16 de Maio de 1977, em Bamako. Presidente de Malí (1960-68).
Considerado como um anticolonialista perigoso pelos franceses que o prenderam em 1946. Dois anos depois ganhou um lugar na Assembleia Territorial e em meados dos anos 50 foi eleito deputado da Assembleia Nacional Francesa.
Em 1958 num referendo em que as colónias francesas de África tiveram que escolher entre a autonomia na Comunidade Francesa ou a independência imediata, Keita luta pela independência com êxito. Mas a Comunidade Francesa só chega a formar-se com a participação do Mali, Senegal e Sudão.
Modibo Keita é eleito Primeiro Ministro da Federação da Comunidade mas esta união durou pouco tempo por não haver acordo sobre a estrutura política da Federação e os países tornam-se independentes, tornado-se Keita no Presidente do Mali.

A 19 de Novembro de 1968 foi derrubado por um golpe de estado militar. Passou o resto da sua vida exilado.

quinta-feira, maio 17

STEVE BIKO


Stephen Bantu Biko (18 de Dezembro de 1946 - 12 de Setembro de 1977) foi um conhecido activista do movimento anti-apartheid na África do Sul, durante a década de 1960.
Insatisfeito com a União Nacional de Estudantes Sul-africanos (National Union of South African Students((en))), da qual era membro, participou da fundação, em 1968, da Organização dos Estudantes Sul-africanos (South African Students' Organisation). Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People's Convention).
Em Março de 1973, no ápice do regime de segregação racial (Apartheid), foi "banido", o que significava que Biko estava proibido de comunicar com mais de uma pessoa por vez e, portanto, de realizar discursos. Também foi proibida a citação a qualquer de suas declarações anteriores, tivessem sido feitas em discursos ou mesmo em simples conversas pessoais.
Em 6 de Setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro e sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de Setembro, foi embarcado num veículo policial e transportado para outra prisão. Biko morreu durante o trajecto e a polícia alegou que a morte se devera a "prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro".
Em 7 de Outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos actos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os factos ocorreram em 1977, tal crime teria caducado (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.

quarta-feira, maio 16

Moringues (29)

AHMED BEN BELLA


Mohamed Ahmed Ben Bella (Árabe: احمد بن بل) (nasceu a 25 de Dezembro de 1918, Maghnia, Argélia). Foi o primeiro presidente da Argélia e principal líder da guerra da Argélia pela independência em relação à França, Ben Bella terá nascido, provavelmente, em 1918.
O processo político decisivo para a independência do país teve início em 1954, embora Ben Bella e outros já se encontrassem empenhados nesse objectivo desde há vários anos. Naquela data, Ben Bella e os líderes nacionalistas argelinos residentes no Egipto encontraram-se secretamente na Suíça, onde criaram o movimento Frente de Libertação Nacional e decidiram realizar uma insurreição contra os colonos e militares franceses.
Em 1956, Ben Bella foi preso pelas autoridades militares francesas, depois de ter escapado com vida, nesse mesmo ano, a dois atentados, um no Cairo e outro em Trípoli. Foi posto em liberdade em 1962, ano da independência. Em 1963 o país encontrava-se numa situação grave e Ben Bella foi eleito, sem oposição, para a presidência da Argélia, com uma imensa maioria. Restabeleceu a ordem no território, operou um conjunto de nacionalizações e implementou uma reforma agrária, encaminhando o país para uma economia socialista. Ben Bella foi o primeiro chefe de Governo e o primeiro presidente eleito (1963-1965) da República da Argélia.
Em 1965 foi deposto, na sequência de um golpe de Estado. Passou dez anos no exílio e regressou ao seu país em 1990, quando a Frente de Salvação Islâmica (FSI) estava no poder. Ben Bella conseguiu o apoio de seis partidos políticos e, um ano depois, convocou eleições. Mesmo com a realização de comícios, o seu partido não conseguiu triunfar perdendo as eleições de 1991 para a Frente de Salvação Islâmica.

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