Água fresca... para ideias com sede...

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quinta-feira, maio 15

Rapper roubado em Luanda :D



A afronta dos milhões do colar à pobreza!
Não é por nada, mas não tive pena nenhuma.
Espero que não tenham apanhado o "ladrão"!

via às vezes (des)organizo-me em palavras

segunda-feira, fevereiro 18

Brutalidade da descolonização merece pedido de desculpas


Transcrevendo o artigo de opinião de Mário Crespo, no Jornal de Notícias de hoje:




Vivi a maior parte da minha vida em África. Em Moçambique mesmo quando o professor Adriano Moreira acabou com legislação racial ficou no quotidiano colonial uma prática segregacionista com a mesma força dos letreiros Whites Only na África do Sul. Lourenço Marques era um mundo psicótico inundado de meninos-criados e improváveis patrões e patroas. Visto a esta distância era um horroroso parque temático de incongruências. Os pequeninos serviçais (os Pikinin, como os colonos de origem sul africana ainda hoje chamam aos meninos negros) tinham um magnífico aspecto, vestidos com umas fardinhas de caqui ou sarja compostas por uns calções, uma espécie de bibe e um avental, tudo a condizer. Sempre descalços. Serviam à mesa e iam às compras e lavavam a loiça e lavavam a roupa e engomavam e depois, chegava a noite e os meninos fardados desapareciam nas dependências em pequenos quartos raramente com cama (só gostavam de cobertor), quase sempre sem luz eléctrica (bastava-lhes uma improvisada lamparina com petróleo e uma torcida de trapos). Eram crianças, quando muito adolescentes. Por eles temos que pedir desculpas.

Joseph Conrad, no seu Coração das Trevas, descreve o horror da colonização imperial no Congo no facto de se poder punir negros com sovas monumentais e deixá-los a esvair-se numa qualquer clareira de plantação, porque depois, diz Conrad, como que por magia eles, os espancados moribundos, fundiam-se na floresta e desapareciam. África tem uma imensa tolerância para o crime. Deixa sempre poucos ou nenhuns vestígios. Mesmo nos nossos espíritos. A negação daquilo que vimos vai acompanhar toda a geração que viu. Havia, nas colónias portuguesas uma aceitação fatalista de quem mandava e de quem acolhia ordens, fossem elas de ir à escola buscar os meninos, à mercearia as compras. Quem plantava e colhia o algodão o café ou a cana-de-açúcar. Quem descarregava barcos no porto. Quem frequentava os clubes de elites e quem dormia no bairro de caniço sem esgotos nem abastecimento de água. E todos aceitavam. Como se houvesse uma hierarquia natural que tinha que ser respeitada. Como as chuvas no Verão e a seca no Inverno e as tonalidades da pele. Porquê fazer um acto de contrição público e pedir desculpas? Porque nos tornávamos numa gente melhor como povo. Tendo África, como disse Conrad, a capacidade de conseguir fazer crescer uma cortina de verdura luxuriante tornando as barbaridades parte integrante da paisagem, a nossa própria libertação acarreta a obrigação de desbastar a folhagem à catanada e revelar o que está por baixo no terreiro da plantação. Se "os criados lá de casa sempre foram bem tratados" é preciso questionar esse "direito" que o estatuto colonial nos dava de ter serviçais. Sempre descartáveis e sempre sem apelido. Só tinham nomes próprios quando nos satisfazia a consonância com as nossas línguas. Aceitávamos os Albertos os Antónios os Alfredos. Aos outros que viessem com nomes Changane ou Ronga chamávamos-lhes Mufana, Mainato ou, genericamente, rapaz.

A massa colonizadora não estava consciente da identidade humana de quem nos rodeava na terra que ocupámos. A repulsa com que os ideais igualitários foram recebidos nas colónias foi o sustento das políticas nacionalistas que nos acabaram por vitimizar a todos, locais e expatriados.

Infelizmente as utopias revolucionárias de Neto e Machel não acabaram com a desumanidade e as trevas. Ter criados no Maputo é tão frequente agora como o foi em Lourenço Marques. Morrer nos arredores de Luanda e deixar que um cadáver se funda na paisagem é tão banal hoje como nas descrições de Conrad no princípio do século passado. Os horrores relatados hoje por Rafael Marques nos campos diamantíferos de Angola são idênticos às denúncias do bispo de Nampula e do padre Hastings nos anos setenta em Moçambique. A chacina de opositores da Frelimo, fechados às dezenas numa prisão em Montepuez onde sufocaram até à morte, rivaliza com o que aconteceu em Wyryamu. É como se houvesse uma propensão na espécie humana para perpetuar este estado de opressão consolidando cada vez mais a desumanização.

Podíamos começar por pedir desculpa e talvez parássemos com este nosso quotidiano de exploração de trabalho ucraniano ou brasileiro ou cabo-verdiano em casas de alterne ou nos condomínios privados (não há grande diferença). Não devemos tolerar com indiferença que o terrível apagar das consciência que Conrad nos relevou continue aqui na "Metrópole" neste novo século em que as hordas de serviçais descartáveis vindos de S. Tomé ou Bucareste, chegada a noite desaparecem em pequenos quartos na Cova da Moura, deixando-nos a cidade livre. E nós, com a tradição que mantivemos intacta, continuamos a não notar o que fazemos. Pedir desculpa pelo que fizemos era um passo para por fim ao que fazemos e nas palavras de Luther King no seu I Have a Dream, depois de as pedir, poderíamos dizer muito alto "Aleluia, finalmente estamos livres".

Mário Crespo escreve no JN, semanalmente, às segundas-feiras

quarta-feira, janeiro 2

O MEU PAÍS

Um amigo meu, diz que o que faz mal não é o que se come entre o Natal e o Ano Novo. O que faz verdadeiramente mal é o que se come entre o Ano Novo e o Natal.
Vem isto a propósito das tão faladas, badaladas, mediatizadas operações de Natal e Ano Novo, para diminuir a mortalidade nas estradas.
No fim, com um ar jovial ou pesaroso vêm dizer-nos que morreu menos ou mais gente ( um ou dois), nas estradas durante este período. Os dados desde o início que estão inquinados, pois dos feridos graves ninguém mais ouvirá falar, mas não é disso que aqui se trata.
Vão ao nosso dinheiro, gastam milhões a preparar as ditas operações, dizem umas quantas coisas na televisão, durante meia dúzia de dias andam por aí e, o resto do ano é o que se vê.
Aquilo que deveria ser o trabalho normal, diário, disciplinador dos condutores em Portugal, torna-se motivo pontual para apresentar serviço.
É como se todo o povo português que trabalha, decidisse fazer os mínimos durante todo o ano e, nestas alturas vir mostrar mais um pouco de serviço.
A única coisa que eu ainda não entendo, tem a ver com o facto de ninguém protestar pelo actual estado de coisas. Há comissões de utentes para tudo, até para pagar menos portagens. Mas, ninguém se incomoda com este desaforo.
Não se preocupem, que para o ano há mais. E se este ano morreram dezasseis, verão que no próximo ano, ou são quinze ou são dezassete.

GED


quarta-feira, novembro 28

Soco no estômago - Miss Landmine Angola 2008



Se bem que consiga entender que este concurso possa ser uma forma de sensibilização para o que o manifesto do referido site refere: entre outros, a consciencialização local e global sobre as minas terrestres, um desafio aos complexos de inferioridade e culpa, o questionar o que é um corpo perfeito, a substituição do termo "vítima" pelo de "sobrevivente", ou uma forma de "empowerment" e renovação do orgulho feminino, não pude deixar de sentir esta estratégia como uma agressão - um soco no estômago.

Como prémio, a candidata ganhadora terá uma prótese "norueguesa"!

Não sei se choro!
Não haveria nenhuma outra alternativa para que milhares de "sobreviventes" desse flagelo pudessem ter a oportunidade de "ganhar" uma prótese?

segunda-feira, novembro 5

A Última Ceia na net


Há novidades na net.

Ao ler o Público do dia 3 passado, descobri um site interessante: Haltadefinizione.

Trata-se da digitalização do célebre painel de Leonardo da Vinci, "A Última Ceia", uma pintura (não é um fresco) de cerca de 4,60mX8,80m, que se encontra num dos topos do refeitório dos frades do convento de Santa Maria delle Grazie, em Milão. Vale a pena ir espreitar.

Ao contrário do que li no jornal, de que são necessários 3 meses de espera para se obter um bilhete para se conseguir ver essa obra maior, quando estive em Milão, não tive dificuldade nenhuma. Bastou para tanto ter feio um "city tour", que me assegurou a entrada num dos mais bem resguardados espaços museológicos.
Tanto os níveis de luz como de humidade são constantemente monitorizados por forma a salvaguardar um "quadro" que se vai deteriorando com o tempo, apesar dos vários restauros a que já foi submetido (o último teve lugar em 1999).
Só são admitidos 25 visitantes de 15 em 15 minutos, para uma experiência que reputo das mais fantásticas. A técnica magistral de Leonardo da Vinci permite-nos ver a cena retratada como se de um filme em 3 dimensões se tratasse.

Mas vale a pena ver como, com todo o cuidado de vários dias, a técnica fotográfica conseguiu pôr a nu todos os pequenos pontos de tinta que estão naquela parede.

Enjoy it!

sexta-feira, novembro 2

Racismo em programa de Jô Soares - RedeGlobo

Já me haviam chamado a atenção para determinado vídeo (da Rede Globo), do programa de Jô Soares. Infelizmente na altura não consegui vê-lo.
Hoje, recebi a transcrição do "desempenho" do entrevistador e de um fulano, de nome Ruy Morais e Castro, em que "comentam a vida sexual de parte das mulheres angolanas" (sic).
Completamente estupefacta com as afirmações aí proferidas, senti-me absolutamente insultada pela manifestação de racismo, deboche, e gozação com que estes dois personagens se referem às mulheres do Sul de Angola.
Depois de ter conseguido ver o tal video (só possível através do browser Explorer), fiquei ainda mais enojada com tamanhas barbaridades.
Mas quem é esse Ruy Morais e Castro? Com que direito se atreve a falar as barbaridades que fala? E quem se julga Jô Soares para emitir comentários tão degradantes sem respeito nenhum por culturas tão ancestrais? Já para não falar das risadas hilariantes de uma plateia ignorante, como é costume desse tipo de programas!

Vergonha, senhores!

Aqui e aqui poderão ler mais sobre o assunto.

Em tempo.
O blog em que aparecia a referência a Ruy Morais e Castro foi apagado. É pena!

quinta-feira, maio 31

Mulheres e a guerra

Fotografia de Jenny Matthews - Serra Leoa

O número de mulheres que, em todo o mundo, sofre os traumas da guerra é incontável: enviuvam, são detidas, separadas dos seus familiares, tornam-se vítimas da violência e de intimidação, são constantemente deslocadas dos seus lugares de origem. São civis inocentes, apanhadas no fogo cruzado, mas sabem com frequência encontrar os recursos e a força para enfrentar as perdas e a destruição que afectam as suas vidas.
Mas há também mulheres que participam activamente na guerra como combatentes. Assim, devem merecer o mesmo respeito que os homens, no caso de serem capturadas ou feridas.

terça-feira, maio 22

Luandino em conversa

José Luandino Vieira (18/05/2007)

Não conhecia Luandino a não ser dos seus livros, cujas páginas devorei, numa mistura de recordação e curiosidade. "Ouvindo" palavras que me soavam tão próximas e ao mesmo tempo tão distantes...
Admirando a "vida" que empresta à sua linguagem, encontrei-me à frente de uma personagem fascinante, numa conversa franca em que deu a conhecer aos presentes uma vida de luta pelos ideais, uma tranquilidade que se vai aprendendo com os mais velhos, os valores da liberdade e da justiça.
Quero crer que foi uma lição de vida aos mais novos presentes. Para os outros, o reconhecimento de que as utopias não morrem e que o nosso mundo pode mudar se nós próprios fizermos todos os dias algo para o melhorar.
Foi muito bom ter ouvido Luandino; melhor ainda quando voltar a encontrá-lo.

segunda-feira, maio 7

Política da Língua Portuguesa em discussão

Aguiar e Silva, professor catedrático aposentado e ex-vice reitor da Universidade do Minho, que se notabilizou no ensino da literatura portuguesa, mas que o grande público sempre identificará como autor da Teoria da Literatura (1967, com sucessivas actualizações e inúmeras traduções), alertou no sábado, dia 5, os participantes no Colóquio "A Política da Língua Portuguesa", promovido pelo Centro de Estudos Lusíadas da Universidade do Minho, para o abandono a que encontra votada a política internacional da língua portuguesa.
Na conferência de abertura do referido Colóquio, o Professor Vítor Aguiar e Silva defendeu a adopção com urgência de uma política de publicação de gramáticas e dicionários a preços acessíveis e a "harmonização de divergências" linguísticas, à semelhança do que os nossos vizinhos espanhóis têm vindo a fazer no seio da comunidade hispânica.
Segundo este antigo docente, Portugal deveria tomar a iniciativa de, em conjunto com o Brasil - o país com mais peso na CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) -, criar, em consonância com os outros países de expressão portuguesa, mecanismos que coloquem a língua portuguesa no centro das atenções da referida Comunidade.
A dotação dos meios indispensáveis, jurídicos e financeiros, para a efectivação do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, criado em 1989, em São Luís do Maranhão, deveria transformar-se em prioridade, principalmente no que concerne às terminologias científicas e técnicas dos vários países.
Ainda no que se refere ao tão apregoado "Acordo Ortográfico", Aguiar e Silva é de opinião que este só trará benefícios marginais, no quadro da política internacional da língua, acrescentando que "os custos nos sistemas escolares e no mundo da edição podem ser pesadíssimos".
Considerou ainda que é imperioso que o Ministério da Cultura entre em negociações com grandes editoras portuguesas e brasileiras para a publicação de uma biblioteca básica, onde figurem os autores clássicos dos países da CPLP; que o Instituto Camões seja dotado de um orçamento condigno, à semelhança Instituto Cervantes, espanhol.

Nota pessoal: Sendo a prática continuada da leitura um elemento importante no desenvolvimento das gerações jovens, torna-se imperativo um apoio mais efectivo à edição e publicação de livros a preços mais acessíveis e que as bibliotecas se transformem cada vez mais em locais que cativem o público.

quarta-feira, abril 25

Uma no cravo, outra na ferradura


25 de Abril
NUNCA MAIS!!!
Na madrugada de 24 para 25 de Abril de 1974, os capitães das forças armadas portuguesas rebelaram-se contra os restos de um Estado Novo menos reformista do que situacionista, onde apesar da relativa brandura do discurso marcelista se mantinha tudo na mesma.

Indignados com a sua situação profissional, e com uma guerra controlada mas sem fim à vista nas colónias africanas, os capitães das forças armadas, na altura extremadamente politizados, desencadearam uma mudança de regime que atingiu a sociedade portuguesa como um terramoto.




Às pias verdades bafientas de trazer por casa, legitimadoras da supressão das liberdades individuais e colectivas do velho regime, sucederam-se, do dia 25 de Abril em diante e durante alguns anos, todas as utopias igualitárias, tentações totalitárias "à là cubana", e a instauração de um anacrónico Conselho da Revolução autolegitimado a que só se pôs um justo cobro nos anos 80, inflamados discursos demagógicos prometendo amanhãs que cantam, como se a mera mudança de regime fosse uma mágica varinha com o condão de tirar o país de profundos atrasos estruturais e culturais de decénios, quiçá de séculos. Para nem falar numa descolonização nada exemplar.


Um natural movimento de pêndulo fez-se então sentir na sociedade portuguesa que virava agora à esquerda - uma esquerda extremada e sonhadora -, com uma inércia em movimento contrário àquele em que vivera durante quase 50 anos de ditadura direitista salazarenta.


A partir dos anos 80 Portugal entrou em normalidade democrática com a regularidade da realização de pleitos eleitorais, com a permanente consumação dos direitos, liberdades e garantias do cidadão, e com a prossecução de um estado de direito em construção, Portugal é hoje uma democracia moderna em construção, com equilíbrio e independência de facto entre os poderes.
Com todos os defeitos de que enfermam as democracias modernas (a democracia é o menos mau de todos os sistemas políticos), o ordenamento político-jurídico-institucional português pode ser considerado um caso de sucesso, um orgulho nacional.
Longe vão os tempos em que se conspirava política e militantemente contra um regime anquilosado, em que se sonhava com uma revolução redentora da alma portuguesa.
Por isso digo: que não sejam precisos novos 25 de Abril!
Por isso digo: 25 de Abril NUNCA MAIS!!!

PS - Clicar sobre as fotografias para aceder a mais informação.

segunda-feira, abril 23

Cantar no chuveiro


Uma das muitas lutas por que temos de pugnar é a da "poupança da água".
A última campanha da Green Peace em prol da salvação no planeta é a seguinte:

"Em vez de tomar um banho de imersão, vá para debaixo do chuveiro e cante!"

Recordam-nos ainda que devemos fechar a torneira enquanto nos ensaboamos, e que para nos lembrarmos de tomar um banho rápido devemos cantar ou assobiar.

Se quiser participar na sugestão de músicas que goste de cantar quando toma banho, deixe o seu comentário aqui.

domingo, abril 22

A cambada, José Eduardo Agualusa

Gosto do Agualusa. Da forma como escreve, do seu humor, ironia, sarcasmo.
Hoje, ao ler, na revista Pública, a sua coluna, não consegui, a certa altura, deixar de escapar uma sonora gargalhada, fazendo com que as pessoas que estavam no café ficassem a olhar para mim.
Acho que este texto deve ser lido, por isso aqui fica:

No dia em que esta crónica for publicada deverão estar reunidos em Lisboa representantes de vários grupos europeus de cabeças rapadas. Alguns destes grupos, e em particular aquele que convidou os restantes, só existem na exacta medida em que os seus críticos, criticando-os, lhe dão existência. Com esta crónica também eu estarei a propiciar visibilidade a uma insignificância. Faço-o, contudo, movido mais pelo riso do que pela revolta, convicto de que por muita atenção que os jornais lhe dêem tal grupo há-de ser sempre merecedor de atenção nenhuma. Merecem, no máximo, a atenção da polícia, enquanto arruaceiros ou pequenos assassinos cobardes.
Um tronco não deixa de ser um simples tronco, assegura um velho provérbio africano, por muito tempo que fique mergulhado na água: não, nunca se transformará em jacaré. O tronco em causa julga-se um jacaré. Alguns observadores julgam-no um jacaré. Acho a presunção ridícula, e não dramática, na medida em que não lhe vejo os dentes. Olho-o com atenção e vejo apenas um tronco. Um pequeno tronco patético, equivocado e insignificante. Sei que jamais terá dentes, dentes autênticos, e por isso olho para ele, ali aos gritos, "vejam, sou um jacaré!", e rio-me.
Não acredito que a extrema direita possa crescer em Portugal, como tem vindo a acontecer noutros países europeus, porque para que isso acontecesse seria necessário em primeiro lugar voltar atrás no tempo e refazer toda a história da Península Ibérica. Convém recordar, as vezes que for necessário, que Portugal e a Espanha são o resultado da colonização romana, somada a uma longa colonização africana, através dos árabes, e depois à presença de populações vindas de muitos portos que as caravelas alcançaram. Os árabes não foram expulsos. Ficaram em Portugal, cristianizaram-se e misturaram-se com a restante população. Os africanos trazidos para trabalhar nos campos, ou para servir nas cidades, também nunca regressaram aos seus territórios de origem. Foram para a cama com as portuguesas e fizeram-lhes filhos. Imensos filhos, graças a Deus, e todos eles muito mulatinhos (1). Os actuais portugueses descendem, na generalidade, desse anárquico e festivo e maravilhoso encontro de sangues e culturas. Eis que, acolá, nasce um menino com a tez mais escura. Outro, ali, expõe à clara luz do dia uma inequívoca carapinha. Em certas aldeias a população inteira revela singular resistência à malária. A própria língua trai, a cada frase, a origem de quem a fala. Dizemos minhoca e é nhoca, a cobra, que estamos a recordar em quimbundo. A mesma coisa acontece ao dizermos cambada, palavra que vem de camba, amigo, ou cachimbo, ou carimbo, ou caçula, entre tantas outras, e isto para ficar apenas pelo quimbundo, porque poderia ainda trazer a terreiro a contribuição dos africanos árabes, arriscando-me com isso a ocupar a revista inteira e a fatigar os meus leitores.
Poucas coisas unem a extrema direita europeia para além do ódio à mestiçagem - e negar a mestiçagem é, evidentemente, negar Portugal. Começo a rir (às gargalhadas) neste ponto: temos então um partido português que se diz nacionalista enquanto combate a ideia de Portugal. Temos uma meia dúzia de indivíduos que convidam a visitar Lisboa a mesma cambada, permitam-me a quimbundagem, que persegue indefesos imigrantes portugueses pelas ruas de Berlim, de Paris ou de Viena. Ponho-me a imaginar o que dirá um cabeça rapada português a um cabeça rapada alemão: "Bate-me mais, oh pásinho, bate-me lá que eu gosto!".
Talvez na opinião desta gente um português emigrado já não seja exactamente um português. Um português no estrangeiro há-de ser, aos olhos de um cabeça rapada português - um estrangeiro! E um estrangeiro merece apanhar. Pensarão por certo que imigrante é uma espécie de nacionalidade, um natural de Imigra, seja lá onde for que fique Imigra, República Popular, provavelmente em África. Sendo assim passa a ser possível expulsar, por exemplo, os angolanos radicados em Portugal. Se o governo angolano decidir retaliar não terá como pois, vendo bem, não existem imigrantes portugueses em Angola. O que há é Imigrantes. "Mandem-nos para Imigra", dirão os carecas, "República Popular, seja lá onde isso for, que nós por cá todos bem".
Que me perdoem os meus amigos do SOS-Racismo. Não lhes atirem pedras (coitadas das pedras). Atirem-lhes gargalhadas.


(1) Sublinhado meu (parte onde dei a forte gargalhada)

quarta-feira, março 28

Publicidade - Outros alvos...

Em 2006, a Dove lançou uma campanha publicitária sob o tema "Corpos reais", em que a foto abaixo foi uma das mais divulgadas.

Não terá sido a primeira vez que uma marca optou por mostrar a mulher como ela é: com gordurinhas a mais, uma celulite à mistura, umas estrias a espreitar... Nessa campanha apareciam mulheres vulgares.

Um dos produtos que a publicidade utiliza mais para vender é o corpo feminino. Mas não um corpo qualquer. Nos corpos ideais que mostra, além de vender o produto, vende também conceitos que as mulheres passam a desejar: um corpo esbelto, elegante, perfeito. De preferência, magro.
O que a Dove fez foi fazer com que a mulher "normal" se sentisse bonita, com vontade de se cuidar, valorizando as suas características físicas, e deixasse de sofrer por não conseguir alcançar o que para a maioria é inatingível. Isto é, serem Mulheres Reais.

Agora, a mesma Dove surge com a campanha Pro-age:

"Velhas demais para estar numa propaganda anti-idade
Mas essa não é anti-idade
É pró-idade
Beleza não tem limite de idade"

A ideia da campanha é explorar a sensualidade da mulher que já não é mais jovem, mas continua a sentir-se atraente e sexy.
Claro que a preocupação da marca não é com a aceitação de um novo padrão de beleza feminina, mas sim vender mais produtos, para um segmento da população que normalmente é deixado de lado - as "gordinhas" e as "mais velhas".
Óptima propaganda para mulheres que começam a sentir-se cansadas com tanta pressão por beleza perfeita. Mas o que é certo é que não passa de mais um chavão acerca do que as mulheres querem ouvir e ver.

domingo, março 18

Iraque - 4 anos

Manifestantes em Londres

Passando os olhos pelos canais de informação de hoje, quase todos dedicam algum do seu espaço ao 4º aniversário da invasão do Iraque, que se assinala na próxima quarta-feira.
Um pouco por todo o planeta se ouviram protestos contra uma guerra que já deixou cerca de 2 milhões de refugiados, fez cerca de 1 milhão de mortos e tem sido a causa de forte desestabilização nos países limítrofes.
Com a violência registada e a falta de perspectivas, há cada vez mais iraquianos que tentam sair em busca de oportunidades fora do Iraque, principalmente profissionais que são essenciais para a reconstrução do país. A informação é do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

E, hoje, Tóquio, Kuala Lumpur, Madrid, Santiago de Chile, Sidney, Istambul, Atenas, Kopenhagen, Washington, San Francisco, Los Angeles, foram palco para grandes manifestações de protesto contra a política americana e muito particularmente contra o seu presidente, Bush.
Gritando "Não à Guerra", "Não Matem o Iraque", "Acabem com a ocupação", "Abaixo Bush", os manifestantes voltaram mais uma vez a apelar à PAZ.

Para não esquecer!

segunda-feira, março 5

Dia Internacional da Mulher (1)

Mujer llorando, Pablo Picasso

Comemora-se daqui a três dias, dia 8, o Dia Internacional da Mulher.
Quando, no começo do Séc. XXI, ainda existe a necessidade de se continuar a atribuir um dia específico para recordar a importância que a mulher tem na sociedade e na vida, é sinal que ela continua a ser discriminada, ocupando um lugar subalterno numa sociedade machista e patriarcal. É sinal que ela continua a ser uma vítima.

A subordinação da mulher ao poder masculino, sobretudo no Médio Oriente, no Sul da Ásia, em alguns países africanos, e na América Latina, onde ela é propriedade do homem e qualquer desvio a este padrão - casamentos impostos, forçados - é considerado como crime contra a honra e a desonra é paga com a morte, normalmente por apedrejamento. Mais de 5.000 mulheres por ano morrem por esta causa.

Mais de 150 milhões de mulheres são vítimas de mutilação genital (ver este post), não se vislumbrando que esse número possa deixar de crescer.

Como será a vida das mulheres violadas em cenário de guerra? O que representam as crianças geradas dessa forma? As recentes guerras nos Balcãs são retrato desta situação, o mesmo acontecendo no Médio Oriente.

Tantas vezes aliciadas por uma vida melhor, continuam a ser exploradas, quais escravas modernas, na prestação de serviço doméstico não remunerado, no trabalho forçado... quantas vezes raptadas, levadas à prostituição, no carrossel do tráfico humano.

Vítimas também da violência doméstica. Numa relação de poder sempre desigual, em que as decisões são na maioria das vezes tomadas pelo homem, a mulher é o elo mais fraco. Batidas, psicologicamente violentadas, ainda têm medo e vergonha de se queixar, e a sociedade não cuida para as proteger. Os crimes contra a pessoa não deixam de aumentar.

Apesar de serem maioria no globo, estão entre os mais pobres. Discriminadas no trabalho, em que a maternidade é a primeira razão para a não obtenção de emprego, para a não renovação de contratos, para a não progressão nas suas carreiras. Assiste-se a uma feminização da pobreza, em que a mulher normalmente ganha menos que o homem para tarefa igual, mesmo em países de tradição mais progressista, como é o caso da Suécia.

Mesmo no que diz respeito ao seu poder de decisão, no que concerne à sua vida sexual e reprodutiva, existe um défice. O exemplo português, em que somente agora se procederá à legislação de despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez, é flagrante. Mas continuarão a morrer vítimas de aborto clandestino cerca de 80.000 mulheres por ano no mundo.

Este é o retrato negro da condição da mulher. Triste.
Tal como todos os outros dias que existem para lembrar todas as causas que deviam ser uma preocupação quotidiana: o dia da floresta, do livro, da luta contra a homofobia, dos direitos humanos, da criança, da paz, dos refugiados, do ambiente, da água, das vítimas de tortura, do idoso, da erradicação da pobreza, da tolerância...

Em tempo: Veja aqui alguns números assustadores.

domingo, março 4

Los Desaparecidos

Arte fala de ditadura, em Nova Iorque.

Los Desaparecidos, mostra de vários artistas sul-americanos, está aberta ao público até 17 de junho, no Museo del Barrio.
Esta exposição é a resposta destes artistas ao desaparecimento de dezenas de milhares de pessoas que foram raptadas, torturadas, assassinadas na América Latina entre os anos 1950 e 1980, pelos vários governos ditatoriais de direita, no Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, Colômbia, Guatemala, Venezuela.
É também o grito da luta contra a amnésia colectiva, para que semelhantes atrocidades não se repitam, e uma forma de pressão ao governo dos Estados Unidos para que deixe de apoiar regimes que assassinam o seu próprio povo.



A fotografia deste post é da instalação de Nicolas Guagnini, cujo título é 30.000, onde o artista mostra o seu pai, um jornalista argentino que desapareceu em 1972, durante a ditadura militar.



Numa altura em que em Portugal se fazem concursos de "O maior português", em que a memória colectiva parece não lembrar o que é viver sob o jugo dos ditadores, talvez fosse importante que algum dos nossos museus se interessasse em fazer recordar os milhares de mortos de 40 anos do Estado-Novo.

sábado, fevereiro 24

Publicidade - há limites para a criatividade?

Hoje, ao ler o jornal, uma chamada de atenção para uma campanha publicitária de Dolce & Gabbana em Espanha, cujo anúncio os estilistas decidiram retirar do mercado, depois da polémica desencadeada pela foto aqui ao lado e de veementes críticas do Instituto de la Mujer.
A campanha manter-se-à, no entanto, nos outros países, tendo os estilistas advertido que o próximo anúncio mostraria uma mulher nua em cima de um homem!
Na sua argumentação, acrescentam: "O que tem a ver uma fotografia artística com o mundo real? Então queimar-se-iam museus como o Louvre e todas as pinturas de Caravaggio!"

Esta não é a primeira vez que a dupla é alvo da crítica em relação às suas campanhas publicitárias, campanhas normalmente com apelos a temas fortes.
Já no ano passado, a associação que regula a publicidade na Inglaterra (Advertising Standards Authority) criticou a marca italiana por causa de uma campanha publicitária que mostrava modelos que ostentavam facas, tendo referenciado mais de 150 reclamações de pessoas preocupadas com o facto de as fotos estilizadas fazerem a apologia da violência.
Um dos dois anúncios apareceu no jornal "The Times" (foto ao lado). O anúncio foi publicado em outubro passado, tendo aparecido numa página em que havia um artigo sobre crimes com facas.
A marca argumentou, na altura, que os anúncios eram bastante estilizados e tinham a intenção de imitar a arte do início do século 19, tendo sido criados para evocar o período napoleónico, enfatizando os efeitos teatrais do género.

Questiono-me frequentemente sobre o tipo de linguagem visual a que as marcas apelam para vender. Se observar os anúncios unicamente sob o ponto de vista da arte, diria que são belíssimas fotografias. No entanto, acho que até podem chocar uma grande parte das pessoas, ferindo susceptibilidades ou provocando rejeição.
Mas dever-se-à impor limites à liberdade de criação? Fica a questão a que não sei responder.

quarta-feira, fevereiro 14

Água do moringue


A memória da água

Será que a água possui memória?
Será que ela pode guardar informações, para mais tarde reproduzir e fazer passar essas informações? Será a memória da água comparável à memória das pessoas?

Nas pessoas a memória guarda e apaga informações de uma forma emocional, depende da importância ou da impressão (no verdadeiro sentido da palavra) que essas informações despertaram nas respectivas pessoas.

A memória da água funciona de uma forma racional. Guarda informações de uma forma exata e livre de emoções, que depois reproduz, quer as boas como as más. Tal uma fita de gravador que guarda as frequencias e as reproduz sempre que se seja pedido, sem alterar nada da versão original da gravação, sem que algo se perca ou se acrescente, assim é a memória da água.

A forma e o local onde a água guarda as informações são apenas teorias que os cientistas ainda não estudaram de uma forma consequente (os cientistas tradicionais negam que a água tenha capacidade de guardar informações).

Quanto aos efeitos da reprodução dessas informações, aí já se avançou bastante de uma forma empírica mas também sistemática no estudo científico desses mesmos efeitos. Sabemos hoje qque a estrutura molecular da água joga um papel fundamental na qualidade da reprodução das informações. Essa estrutura é responsável pela qualidade de conservação da água, o desenvolvimento de micro-organismos naágua e finalmente pela forma como a água é assimilável e compatível para com a estrutura arquitectónica de todos os seres vivos (incluindo o ser humano), com os quais entra em simbiose.

Todas estas características, que de uma forma natural deveriam ser encontradas em todas as águas, desaparecem hoje em dia de um modo tão drástico e assustador, que é motivo para grande preocupação.

(a minha água é a vossa água, tenho sede e ela sabe, o nosso moringue está meio - cheio e amanhã vou buscar mais)

terça-feira, fevereiro 13

MULHER AFEGÃ

Mulher Afegã Foto@EPA/Syed Jan Sabawoon

Uma mulher afegã descansa debaixo de uma árvore em Kabul, escondida por trás da Burka. O Afeganistão continua a sofrer as consequências de anos consecutivos de guerra. O uso da Burka é por vezes apontado como uma forma de violação dos direitos da mulher. Há fotos que valem por mil palavras. Bem aventurados aqueles que conseguem transmitir, através da fotografia, aquilo que lhes vai na alma. Espero que os que bebem a água fresca do Moringue consigam ser, também, os "iluminados" das artes.

terça-feira, fevereiro 6

Dia Mundial da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina

No Dia Mundial da Tolerância Zero Contra a Mutilação Genital apresentam-se os números. Mais de dois milhões de meninas são vítimas, todos os anos, de mutilação genital. Uma prática muito comum em África, mas também praticada noutros países (Europa, EUA e Médio Oriente), especialmente por comunidades imigrantes dos 28 países africanos onde se verifica esta prática.
A mutilação genital consiste em retirar, total ou parcialmente, os órgãos genitais externos das mulheres, o que viola os Direitos Humanos e contribui para um problema de saúde pública.
De acordo com o relatório da organização Save the Children, os tipos de mutilação praticados vão desde a circuncisão (a menos grave), à excisão, até à mais grave que consiste na eliminação completa dos genitais externos e pode incluir o uso de substâncias corrosivas.
Estas práticas são realizadas em crianças desde os poucos dias de vida até aos 20 anos, mas o mais comum é que se realizem entre os 12 e os 14 anos.
Várias organizações têm tentado erradicar esta prática, mas esta está muito associada a tradições e crenças. Quem faz a mutilação genital acredita que as menores se manterão virgens até ao casamento, o que evita comportamentos imorais e previne a morte precoce.

In Jornal de Notícias, 06-02-2007

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A excisão/mutilação genital feminina (E/MGF) ocorre a uma escala muito maior do que se pensava anteriormente. Só no Continente Africano (África Sub-Sariana, Egipto e Sudão), três milhões de raparigas e mulheres são, anualmente, submetidas.
A excisão/mutilação genital feminina é uma prática tradicional que se crê realçar a beleza da rapariga, a sua honra, aptidão para casar, estatuto social e castidade. Os pais encorajam essa prática na convicção de que esta irá salvaguardar a honra da família e o interesse superior da rapariga. Nos 28 países da África Sub-Sariana e do Médio Oriente onde é praticada, cerca de 130 milhões de raparigas e mulheres foram vítimas desta prática.
Anteriormente, as estimativas apontavam para 2 milhões de raparigas por ano submetidas a esse procedimento; a nova estimativa de 3 milhões não reflecte um aumento, mas uma melhor recolha de dados, afirma um relatório da UNICEF, do ano passado.
A E/MGF é um problema global, que também afecta as mulheres que vivem em comunidades imigrantes nos países industrializados em todo o mundo. As percentagens da população feminina que é submetida à mutilação genital, os tipos de excisão e a idade em que essa prática é realizada variam muito de país para país.
Em todas as suas variantes, a E/MGF é muito dolorosa e pode provocar hemorragias prolongadas, infecções, infertilidade e até a morte. Muitas raparigas e mulheres sofrem em silêncio. Devido à natureza privada desta imposição, é impossível calcular o número de vítimas mortais.
O relatório analisa em profundidade as complexas dinâmicas sociais que fazem da E/MGF uma das violações de direitos humanos mais persistente e silenciosamente suportadas.

Portugal é um país de risco.

Portugal é um país de risco para a execução desta prática, pois recebe comunidades imigrantes do continente africano, onde a excisão feminina tem uma prevalência de 50 por cento.
Portugal já tem um quadro legal que pune a mutilação de órgãos, mas a questão da excisão das mulheres ainda não se encontra tipificada.
Para combater as práticas tradicionais da MGF ou «fanado» - como é popularmente definido - é necessário promover acções de formação, nomeadamente explicar às mulheres africanas imigrantes que «a mutilação não é recomendada no Alcorão» e não tem fundamento religioso. Quem o diz é a ginecologista - obstetra Ana Campos - que relata as condições precárias em que a MGF é praticada na Guiné: «É feita com pedaços de vidro ou lâminas, gerando infecções que podem conduzir à morte das mulheres.»
Só se tem conhecimento de 15% das consequências da MGF, que são os casos que chegam aos profissionais de saúde. Não existem provas concretas da prática em Portugal, mas para Yasmina Gonçalves, da Associação para o Planeamento da Família, «os médicos e enfermeiros portugueses precisam de formação específica para lidar com estes casos».

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