Água fresca... para ideias com sede...

quarta-feira, outubro 17

Top Blogs

Hoje, deambulando pela net, encontrei um site obvious - um olhar mais demorado... em que aparecem os top blogs de África, Cabo-Verde e Timor (sic).

Congratulo-me com os lugares ocupados pelos amigos dos blogs: A Minha Sanzala (6º), Às vezes (des)organizo-me em palavras... (10º), Konkomitantemente, Mankakas! (27º), Os Nacionalistas (29º), M'pty Head (40º), Rádio MuximAngola (46º), NEBLINA (49º), O Blog vazio (64º).
O Moringue ocupa o 45º lugar, o que nos orgulha, principalmente por este não ser actualizado tão assiduamente quanto o deveria.


Aproveito esta ocasião para dar a conhecer um novo blog. O BLOG REALMENTE ABERTO.

É só seguir as instruções e cada um pode postar o que quiser e quando quiser.
Os criadores do blog agradecem contribuições.

quinta-feira, setembro 20

Enduring Voices - Projecto

Hoje, ao ler o jornal, um dos temas que me chamou a atenção prende-se com o fenómeno crescente do desaparecimento de línguas minoritárias, mas ainda vivas no nosso planeta e que tem vindo a ser estudado através do Projecto Enduring Voices, apoiado pela National Geographic.

De Moçambique, um investigador já deitou mãos à obra e está a levar a cabo um estudo sobre a língua Nyungwe, falada na região central do país irmão.

E em Angola? O que se passa com as várias línguas nacionais?

sábado, setembro 15

Fome Ltda.



Esta curta-metragem, criada por Viktor Navorsky, que obteve o 1º lugar na 4ª Mostra de Vídeo da Amazônia - categoria Prémio especial do júri, denuncia o que tantas vezes não queremos ver.

via Ideias Despedaçadas.

quinta-feira, setembro 13

Hora da refeição


Pandas gigantes aproveitam a sua refeição no Centro de Protecção e Pesquisa de Pandas, em Wolong, China.

terça-feira, setembro 4

A ideia de um blog é genial.
É um local onde podemos colocar as nossas opiniões, sem qualquer responsabilidade de responder a quem quer que seja. Tal facto não nos inibe da responsabilidade de não ultrapassar as margens do decoro. No entanto há de tudo e, é isso que a Net tem de bom.
Mesmo os mais doentes e desiquilibrados podem desta forma desabafar como lhes aprouver. Muito melhor do que andarmos aos tiros.
Mais barato que ir a um psiquiatra.
Nos raríssimos momentos em que por uma questão de informação, tenho que ver o que se passa nesses blogs, sinto pena por eles, mas também um grande alívio.
Enquanto pensam que chateiam os outros, pelo menos vão aprendendo a ler, a escrever e a fazer copy-paste.
Mesmo à força, vão aprendendo a lidar com este extraordinário meio de cultura. E por muito pouco que façam sempre aprendem alguma coisa.
Força camaradas, continuem...

Um abraço
GED

quinta-feira, agosto 30

O polémico retrato de Bush


George W. Bush, por Jonathan Yeo

Um dos mais conceituados retratistas britânicos, Jonathan Yeo foi convidado pela Bush Library para pintar o retrato oficial do presidente americano para a galeria de presidentes da Casa Branca.
Depois de a referida Biblioteca ter prescindido dos seus serviços, Yeo decidiu continuar o retrato, de uma forma menos "oficial", tendo para o efeito coleccionado fragmentos de imagens pornográficas para compor o rosto do presidente numa polémica colagem, actualmente em exposição na Galeria Lazarides, no Soho, Londres.
À primeira vista, o retrato parece totalmente "inocente", mas, olhando-se com mais atenção, percebe-se que os vários pedaços da colagem que "montam" o rosto do presidente norte-americano são imagens de sexo explícito. Aqui, aqui e aqui, poderá ver detalhes do retrato.

"Fi-lo por diversão, não para ofender, mas estou satisfeito com o resultado", disse Yeo.

sábado, agosto 25

Duas versões...

... de uma Estranha forma de vida

Paulo Gonzo e Carlos do Carmo

Carlos do Carmo e Mariza

quinta-feira, agosto 16








fotografia de Tonspi

terça-feira, julho 31

COISA DE PULMÕES

Carlos Edu Bernardes

Soprar e inspirar pelo dia a fora. Insff! Saber que seus cabelos insuflam e flutuam nalguma esquina, entre flores, balões, parapeitos e suspiros. Humm! Seu hálito límpido ajuda a melhorar o efeito estufa. Ahhh! Eu sei que vou encontrar você, entre dois acordes de violão ou ouvindo um papo-de-anjo estourar numa recepção. Pááá! Seu cheiro vai descobrir que o meu amor está ali, escondido naquele respirar tímido que acompanha seus passos quando você cata moedinhas para os chicletes. Tilim-tilim! Ploc! Deixei de fumar na segunda, pois a partir desta terça eu passei a inalar tudo que lembra você.

domingo, julho 29

Homem Nu Faca No Bolso - Por Nástio Mosquito

Mulher Fósforo - 2006
Impressão sobre alumínio - 100 x 150 cm
Colecção Sindika Dokolo
Presente na Bienal de Veneza 2007






Nástio Mosquito é um talentoso angolano nascido em 1981 e que se tem destacado pela acutilância ferina dos seus textos que tem apresentado nos mais diferentes formatos.

Depois de ter apresentado com retumbante sucesso durante uma temporada no bar espaço Bahia o espectáculo Beijinho no Rabo, e de uma adaptação rádiofónica do mesmo show para o programa Audiência Zero da LAC (Luanda Antena Comercial), Nástio Mosquito prepara agora a versão musical do seu Beijinho no Rabo que deverá ser publicada na segunda metade de 2007 e que levará o nome Homem Nu Faca No Bolso.

Conheça melhor este projecto e oiça algumas das fantásticas músicas de Nástio Mosquito em http://www.myspace.com/homemnufacanobolso

Conheça melhor Nástio Mosquito Aqui


sábado, julho 28

Stop Child Executions

De acordo com as Nações Unidas, uma criança é qualquer pessoa com idade inferior a 18 anos.


A mentora desta campanha é Nazanin Afshin-Jam, que tenta anular as condenações à morte de mais de 20 menores que esperam a execução nas cadeias de Teerão e mudar as leis iranianas, de forma a pôr fim à execução de menores.

Assine a petição AQUI

sexta-feira, julho 27

ACIDENTE RADIOATIVO PELA PRIMEIRA VEZ NO PALCO

Desenrolou-se neste mês de julho no palco do Teatro Goiânia Ouro, no centro de Goiânia, Goiás, Brasil, uma peça teatral que relembra um dos episódios mais duros e tristes da existência dessa jovem capital brasileira: o acidente radioativo ocorrido em setembro de 1.987, após a abertura de uma cápsula de Césio 137 por três inocentes e desavisados catadores de papel.

Denominado de Azul Esgotado, pois azul era o pó brilhante extraído da cápsula, o espetáculo contou com três jovens talentos no palco e a mão sensível de uma diretora teatral, Angélica Braga, discípula do irreverente e inventivo Hugo Rodas, diretor uruguaio radicado em Brasília.

Vejamos o que disse a repórter Cida Almeida, que cobriu o acidente na época do acontecido e que acompanhou o processo criativo, cênico e escrito do espetáculo, inclusive é dela a poesia declamada ao fundo durante a performance do gracioso trio: “Coincidentemente, quando se completa 20 anos do acidente, chega aos palcos pela primeira um recorte dessa tragédia, com muita, mas muita sensibilidade no olhar. Durante o mês de julho, Azul Esgotado, modestamente caracterizado como “ensaio coreográfico”, foi apresentado no Teatro Goiânia Ouro, às 20 horas. Mas o espetáculo, pela qualidade e força cênica, deve rodar os principais circuitos culturais do Brasil. Já passou por audições em Santa Catarina e São Paulo, onde impressionou e aguçou curiosidades, principalmente porque a maioria do público nunca ouviu falar no acidente radioativo de Goiânia”. E ela continua: “No princípio era a cor. E a cor era azul. Azul! Azul desejado, reverenciado, procurado à exaustão, como metáfora da irreal e fugaz felicidade. Azul desbotado. Azul das fases geniais dos mestres da pintura. Que sonho as bailarinas azuis de Degas! Azul néon das ruas, de jeans, índigo blue. Azul de tudo bem, tudo azul. Azul da cor do céu. Azul da cor do mar. Azul pertinho e azul de longe, muito longe, anos luz de azul. Azul dos olhos de Sinatra e da esplendorosa visão de Neil Armstrong, que pisou na lua e balbuciou: a Terra é azul. Azul de sonho, de luz de palco, de momentos de combustão na chama. Azul de césio-137, azul de ciência encapsulada, azul de letal segredo violado... Azul em pó, dançando de mãos em mãos numa perversa ciranda radioativa no quintal”.

Num jogo de luzes embasado no azul, um azul que em momento algum deixa de denunciar a tristeza progressiva do trágico resultado do episódio, vemos flutuar pelo palco do teatro a bailarina Fernanda Costa, de apenas 14 anos (sobrinha e afilhada deste que vos escreve), e os atores Rodrigo Cunha e Vanessa Ruiz. A voz de Carolina Braga, jovem cantora lírica de apenas 16 anos, e que recebeu um convite para cantar no Japão, dá o tom angelical ao fim do último ato, com uma ária que nos transporta, entontecidos, às alturas.

A repórter Cida Almeida conta mais: “Azul Esgotado é mais que um ensaio coreográfico, realizado pelo Núcleo de Pesquisa da Escola de Teatro e Dança Vivace. Dança, música, teatro e poesia, linguagens que se entrelaçam para narrar no palco um drama com todos os tons de realismo fantástico, se não fosse de fato real e não tivesse de fato acontecido. Mais que um drama, uma tragédia. O fantástico fica por conta da nossa incredulidade dessa tragédia moderna ter acontecido no nosso quintal. E moderna porque une no mesmo fio o máximo da conquista científica e tecnológica do homem – a fissura do átomo e o uso dos elementos radioativos para a cura do câncer – e o descaso e a ignorância. Essa tragédia narrada em Azul Esgotado é o acidente radioativo de Goiânia, ocorrido em setembro de 1987”.

“Às vésperas de se completar vinte anos do acidente, a história já rendeu livros (precipitados), filme e documentários. Considerado o maior acidente radioativo doméstico da história, a tragédia do Césio 137 fez quatro vítimas fatais (logo após a descoberta do acidente, entre elas a menina Leide das Neves Ferreira, que chegou a ingerir césio, transformando-se numa fonte radioativa viva), centenas de vítimas diretas e outras indiretas. Pior que o rastro de contaminação deixado pelo césio foi a discriminação engatilhada no day after“.

“Vinte anos é tempo suficiente para embalar o esquecimento. Pouco se fala do acidente, que teve um enredo tão difícil de acreditar que nem o mais inventivo autor de ficção científica ousaria imaginá-lo. Catadores de papel furtam parte de um aparelho de radioterapia deixado nos escombros de uma clínica abandonada. A peça é aberta a marretadas em um ferro-velho na região central de Goiânia e a cápsula de césio violada. A pastilha de césio, que emitia uma luz azul brilhante, começa a ser distribuída em pedaços, pequenas pedrinhas, entre vizinhos e amigos curiosos. Tem gente que levou pra casa no bolso da calça. Outros inventaram brincadeiras lúdicas com aquele pó que brilhava na escuridão, como Ivo Alves Ferreira (já falecido), pai da menina Leide das Neves. Os dois espalharam o pó, apagaram as luzes, e sonharam com uma cidadezinha de fantasia brilhando na noite daquele setembro de 1987, tamanho o fascínio da luz azul emitida pelo Césio 137”.

“Acidente do descaso e da ignorância. Descaso porque todas as pessoas e instituições que deveriam zelar pela guarda e segurança daquele aparelho falharam. E acidente da ignorância porque a maioria esmagadora das pessoas desconhecia os perigos da radiação e nem poderiam suspeitá-lo tão perto, ao alcance da mão. É cruel, mas toda tragédia tem lá o seu lado pedagógico. O acidente com o césio gerou centenas de pesquisas sobre os efeitos da radiação em seres humanos com os mais variados graus de exposição, técnicas em processos de descontaminação e de controle de resíduos no ambiente, novas normas de segurança, enfim, mais ciência e tecnologia. E a popularização do símbolo da radiação, aquele alerta de perigo que reconhecemos no trevo alaranjado que ostenta algumas salas de hospitais e laboratórios”.

“Uma tragédia azul - E como uma história assim poderia funcionar no palco? Maestria, unindo a idéia do fascínio azul ao minimalismo de três pessoas no palco. É como se abríssemos uma caixinha de música, de onde saltam o encantamento e a ameaça. Antes, apenas um balé silencioso da menina no mundo da partícula de luz azul, amparada em suas evoluções por dois seres de máscaras, trajando macacões brancos, os mesmos que os homens da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) usaram em Goiânia quando entraram nas áreas contaminadas e logo isoladas com fitas amarelas”.

“O balé é encantador, vertiginoso e trágico. A cena é carregada de simbolismo. A menina dança como se estivesse no espaço, às voltas com dois astronautas ou anjos na UTI. A dança tem o ritmo da respiração. De novo astronauta e de novo respirador artificial de uma Unidade de Terapia Intensiva. E a menina conheceu sim o medo dos vidros, das máscaras e do isolamento. Era uma fonte radioativa viva sob os cuidados de atônitos cientistas e médicos no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, onde morreu. E, claro, a música, sempre música, diáfano véu conduzindo a cena. E tem a voz de Carolina Braga, uma ária que embrulha a cena com um véu finíssimo de tristeza”.

“E tem também palavra para fazer recordar e acordar a história. Palavra de lembrar, de ressentir, de doer, de se colocar no lugar do outro, de abraçar, de escutar... Palavra de não deixar calar a tragédia humana que, às vezes, pula o muro e vem dançar no nosso quintal”.

Espetáculo: Azul Esgotado
Coreografia: Angélica Braga
Bailarina: Fernanda Costa
Atores Rodrigo Cunha / Vanessa Ruiz
Canto: Carolina Braga
Concepção: Valéria Braga
Poesia: Cida Almeida
Voz gravada: Valéria Braga

segunda-feira, julho 23

A União Europeia e o Youtube

Vai aquecendo a polémica acerca da promoção do canal Youtube da União Europeia.
Os vídeos sobre a política agrícola da UE e/ou a segurança nas estradas são pouco vistos; mas um vídeo com cenas eróticas do cinema europeu tornou-se, automaticamente, um grande sucesso.

Para o eurodeputado conservador da Grã-Bretanha, Chris Heaton-Harris, a Comissão Europeia anda a desperdiçar o dinheiro dos contribuintes e um eurodeputado da Polónia, membro da conservadora Liga das Famílias Polacas, acusou a comissão de usar "métodos imorais" para se promover.
O porta-voz da Comissão Europeia, Martin Selmayr, informou que chegou uma onda de reclamações da Polónia sobre uma cena íntima entre dois homens, mas recusou-se a admitir que exista alguma coisa controvérsia sobre o filme. Irritado com o que chamou de "ataque quase religioso à importante diversidade cultural que existe na UE", ele afirmou que as imagens são passagens de filmes premiados e que a Comissão tem muito orgulho da sua rica herança cinematográfica, tendo acrescentado: "A União Europeia não é um reduto de leitores de bíblia; nós acreditamos na liberdade de expressão e na criatividade artística".
Para a vice-presidente da Comissão, Margot Wallstrom, "É muito importante para a Comissão usar todas as formas ao seu dispor para se comunicar com os cidadãos europeus".

O vídeo Film Lovers Will Love This é um de quatro feitos para exibição em cinemas europeus para divulgar um fundo da UE que ajuda a distribuir filmes de sucesso feitos nos países-membros. Mas, só depois da União Europeia ter lançado o seu próprio canal no YouTube, EUtube, é que Film Lovers Will Love This ofuscou os outros vídeos da série.
Nenhum dos autores de e-mails para o site EUtube apresentou objeções sobre o conteúdo sexual. A principal queixa é que são poucos os filmes que estão disponíveis em idiomas que não o inglês, mas os gritos de Film Lovers Will Love This! não precisam de tradução.

domingo, julho 22

MAMUNIA

Mamunia aparecia toda vez que chovia.


A janela quebrada sempre me fazia correr para colar um pedaço de sacola de supermercado na minha vitrola 1976, para que os pingos não a encharcassem.

Era só olhar através do vidro partido e ver Mamunia caminhando pela rua e, de vez em quando, olhando para cima para certificar-se de que as gotas translúcidas estavam mesmo regando os seus cabelos.

Ela e sua blusa incrivelmente branca, sua pele alucinadamente negra, a cabeça bela e altívaga de quem passeia pelos campos.

Mamunia colecionava ventanias e cheiros de árvores secas, bem como poesias de ar e prenúncios de pássaros, que flutuavam ao redor dos seus olhos.

Suas mãos delicadas e imensas, seus braços leves, pontes maleáveis, tateavam toda a vizinhança como se fossem holofotes de rara luz. Gatos, cachorros e músicas gostavam de parar seus mundos quando eram, por seculares frações de segundos, tocados por ela.

Mamunia glorificava a chuva e dançava nas esquinas com o seu hálito quente de verão, soprando calçadas e dando rápidos sustos em descuidados corações.

Era bom saber que ela viajava de nuvem e que semeava relâmpagos e pequenos vaga-lumes nos porões e sótãos.

Um dia Mamunia me deu um beijo na boca e eu nunca mais sofri de solidão.


terça-feira, julho 10

Cama e Mesa, Roberto Carlos

Ahahah, recordar o que eu chamaria de "fino brega" ou "pimba erudito"!

terça-feira, julho 3

segunda-feira, junho 25

SÉKOU TOURÉ

Ahmed Sékou Touré
(Presidente da Guiné de 1958 a 1984)
9-1-1922, Faranah
27-3-1984, Cleveland, Ohio

De religião muçulmana, iniciou a sua carreira política em 1945 como líder sindical, tendo sido co-fundador do Rassenblement Démocratique Áfricain (RDA). Em 1952, reorganizou seu partido (Parti Démocratique de Guinée, PDG) como uma seção do RDA, a partir de pressupostos marxistas. Deputado da Assembleia Nacional Francesa desde 1956, lutou pela independência do seu país, convertendo-se em primeiro-ministro do território autónomo em 1957 e, em 1958, no primeiro presidente e chefe de Governo da Guiné independente. Isolado pelo Ocidente, iniciou uma aproximação política da União Soviética. Construiu um regime ditatorial apoiado numa base ideológica de inspiração marxista, nacionalista e pan-africana, que permitiu um certo progresso, mas que não conseguiu fazer o país sair do subdesenvolvimento económico. Após sua morte, o regime foi liquidado por um golpe militar.

segunda-feira, junho 18

Batismo de Sangue - filme


Levei dez anos para escrever "Batismo de Sangue" (editora Rocco), de 1973, ao sair de quatro anos de prisão, a 1983. Reviver toda a saga de um grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar fez-me sofrer. Revirei a memória, fiz entrevistas e pesquisas, revisitei os locais dos acontecimentos, consultei arquivos. Sim, arquivos. O governo federal, comandado por dois ex-presos políticos (Lula na Presidência e Dilma Rousseff na Casa Civil), desconsidera a memória nacional ao não abrir os arquivos das Forças Armadas. Felizmente existem arquivos fora do controle militar. Sobretudo arquivos vivos, sobreviventes da grande tribulação.

Deu-me trabalho levantar os últimos momentos do líder revolucionário Carlos Marighella e o intrincado cipoal em torno de seu assassinato pela repressão, em 4 de novembro de 1969. E doeu-me descrever em detalhes a paixão e morte de frei Tito de Alencar Lima, levado ao suicídio em 1974, aos 28 anos, em decorrência das torturas sofridas nas dependências do II Exército, em São Paulo. Queriam forçá-lo a assinar confissões falsas e delatar pessoas. Não escutaram senão o silêncio daquele religioso que sabia ser "preferível morrer do que perder a vida", como escreveu em sua Bíblia.

Um dia dei o livro a Helvécio Ratton, que também militou na resistência à ditadura e esteve exilado. Escrevi na dedicatória: "Helvécio, a vida supera a ficção". Diretor de cinema, ele tomou a si o desafio e levou às telas "Batismo de Sangue", que estréia a 20 de abril. As cenas - ambientação precisa dos anos 60 - foram rodadas no Brasil e na França. Integram o elenco Caio Blat (no papel de Frei Tito), Ângelo Antônio (frei Oswaldo), Léo Quintão (frei Fernando), Odilon Esteves (frei Ivo), Daniel de Oliveira (que me interpreta), Marku Ribas (Carlos Marighella), Marcélia Cartaxo (Nildes), Cássio Gabus Mendes (delegado Fleury) e outros.

Filmes nem sempre retratam adequadamente os livros nos quais se inspiram. Em geral, a literatura ganha em profundidade da arte cinematográfica, obrigada a condensar-se num par de horas. O livro, traduzido para o francês e o italiano (e, em breve, para o espanhol), merecedor do mais conceituado prêmio literário do Brasil, o Jabuti, atrai o interesse dos leitores desde sua publicação há 24 anos. Falei ao Helvécio: "Livro é livro, filme é filme; não quero interferir." O máximo que solicitou, a mim e aos frades Fernando de Brito, Oswaldo Rezende e o ex-dominicano Ivo Lesbaupin, foi conversar com os atores sobre a nossa experiência na guerrilha urbana e na prisão. Li o roteiro de Dani Patarra, considerei-o excelente, mas preferi não opinar.

Em março, no Festival de Brasília, vi o filme pela primeira vez. Fiquei transtornado: arrancou-me lágrimas, reavivou-me a indignação contra o arbítrio, ativou-me as teias da emoção, enlevou-me pela trilha sonora, fez-me agradecer a Deus pertencer a uma geração que, aos 20 anos, injetava utopia nas veias. Fiquei embevecido frente à força estética das imagens produzidas pelo talento de Helvécio Ratton. O Festival de Brasília concedeu-lhe os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia (Lauro Escorel). No Festival de Tiradentes, a platéia de mais mil pessoas, a maioria jovens, expressou a emoção em prolongadas palmas.

A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Este é um filme a ser visto especialmente por quem não viveu os anos de chumbo. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido, resgatado à democracia pelos filhos que, por amor e esperança, e sem temer a própria morte, não fugiram à luta.

"Batismo de Sangue" é um hino à liberdade. Nele se revela a história recente de uma nação e a fé libertária de um grupo de cristãos. Emerge, contundente, a subjetividade dos protagonistas, como frei Tito, em quem se transubstanciou a dor em amor, o sofrimento em oblação, as algemas em matéria-prima desta invencível esperança de construirmos um mundo em que a paz seja filha da justiça, e a felicidade, sinônimo de condição humana.

Frei Betto, aqui

Veja aqui a apresentação do filme baseado no livro com o mesmo nome.

Aqui encontrará o site do filme e aqui uma notícia sobre o dia em que os frades dominicanos, ordem a que pertence Frei Betto, foram assistir.

domingo, junho 10

Moringues (31)

domingo, junho 3

Há bonecos e... BONECAS!

Raramente me dou ao trabalho de perder tempo a ler as chamadas revistas "del corazón". A não ser quando espero pela vez no cabeleireiro ou, por artes mágicas, me aparece alguma em casa. Foi o caso deste fim de semana, em que uma aqui caiu de para-quedas.
Folheando-a, dou com uma notícia sobre uma "magnífica" boneca de silicone, que dá pelo nome de KOYUKI, fabricada pela firma Orient Industry, de Tóquio.

Aí está ela:

Se estiver interessado, pode adquirir uma dessas bonecas a partir da módica quantia de 6,589 dólares.
Veja aqui a variedade de corpos, caras e penteados de que dispõe.
Para mais informação sobre o "The Silicone Valley of the Dolls", veja aqui.

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