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segunda-feira, janeiro 21

Retrospectiva dedicada a Jorge António, em Luanda

O Instituto Camões / Centro Cultural Português e o Instituto Angolano de Cinema, Audiovisual e Multimedia (IACAM) têm a honra de convidar V. Exa a assistir ao programa da Retrospectiva do cineasta português Jorge António, entre 21 e 25 de Janeiro no Auditório Pepetela, Centro Cultural Português de Luanda.

Jorge António com Tony Amado - Rodagem de "Kuduro, fogo no museke"

PROGRAMA
  • Segunda, dia 21, 18.30 - A Utopia do Padre Himalaya (2004) - Ciência

  • Terca, dia 22, 18.30 - O Miradouro da Lua (1993) - Ficção

  • Quarta, dia 23, 18.30 - Angola. Historias da musica popular (2005) - Música

  • Quinta, dia 24, 18.30 - Kuduro, fogo no museke (2007) - Música

  • Sexta, dia 25, 18.30 - Outras Frases (2003) - Dança

- ENTRADA LIVRE -

Ler também aqui.
Via Às vezes (des)organizo-me em palavras...

terça-feira, dezembro 4







KUDURO, FOGO NO MUSEKE

Um documentário do realizador Jorge António

Com Dog Murras, Tony Amado, SeBem, Fofandó, Puto Prata, Noite & Dia
Portugal / Angola, 2007 – 52 minutos





Kuduro, Fogo no Museke
é a 2ª parte de uma trilogia que o autor dedica à musica angolana, iniciada em 2005 com Angola – Histórias da música popular.
A partir das questões: O que é o Kuduro? Porquê este nome? Porquê tanta polémica?, Jorge António oferece-nos um retrato social e cultural de uma nova geração, através de um género musical que ultrapassou fronteiras e se tornou já um fenómeno internacional.

Dia 6 (Quinta) - Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, Lisboa, 21.30
Dia 7 (Sexta) - Cinema Passos Manuel, Porto, 23.00
Dia 9 (Domingo) - Auditorio Vila do Conde, 21.30

sábado, setembro 15

Fome Ltda.



Esta curta-metragem, criada por Viktor Navorsky, que obteve o 1º lugar na 4ª Mostra de Vídeo da Amazônia - categoria Prémio especial do júri, denuncia o que tantas vezes não queremos ver.

via Ideias Despedaçadas.

segunda-feira, junho 18

Batismo de Sangue - filme


Levei dez anos para escrever "Batismo de Sangue" (editora Rocco), de 1973, ao sair de quatro anos de prisão, a 1983. Reviver toda a saga de um grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar fez-me sofrer. Revirei a memória, fiz entrevistas e pesquisas, revisitei os locais dos acontecimentos, consultei arquivos. Sim, arquivos. O governo federal, comandado por dois ex-presos políticos (Lula na Presidência e Dilma Rousseff na Casa Civil), desconsidera a memória nacional ao não abrir os arquivos das Forças Armadas. Felizmente existem arquivos fora do controle militar. Sobretudo arquivos vivos, sobreviventes da grande tribulação.

Deu-me trabalho levantar os últimos momentos do líder revolucionário Carlos Marighella e o intrincado cipoal em torno de seu assassinato pela repressão, em 4 de novembro de 1969. E doeu-me descrever em detalhes a paixão e morte de frei Tito de Alencar Lima, levado ao suicídio em 1974, aos 28 anos, em decorrência das torturas sofridas nas dependências do II Exército, em São Paulo. Queriam forçá-lo a assinar confissões falsas e delatar pessoas. Não escutaram senão o silêncio daquele religioso que sabia ser "preferível morrer do que perder a vida", como escreveu em sua Bíblia.

Um dia dei o livro a Helvécio Ratton, que também militou na resistência à ditadura e esteve exilado. Escrevi na dedicatória: "Helvécio, a vida supera a ficção". Diretor de cinema, ele tomou a si o desafio e levou às telas "Batismo de Sangue", que estréia a 20 de abril. As cenas - ambientação precisa dos anos 60 - foram rodadas no Brasil e na França. Integram o elenco Caio Blat (no papel de Frei Tito), Ângelo Antônio (frei Oswaldo), Léo Quintão (frei Fernando), Odilon Esteves (frei Ivo), Daniel de Oliveira (que me interpreta), Marku Ribas (Carlos Marighella), Marcélia Cartaxo (Nildes), Cássio Gabus Mendes (delegado Fleury) e outros.

Filmes nem sempre retratam adequadamente os livros nos quais se inspiram. Em geral, a literatura ganha em profundidade da arte cinematográfica, obrigada a condensar-se num par de horas. O livro, traduzido para o francês e o italiano (e, em breve, para o espanhol), merecedor do mais conceituado prêmio literário do Brasil, o Jabuti, atrai o interesse dos leitores desde sua publicação há 24 anos. Falei ao Helvécio: "Livro é livro, filme é filme; não quero interferir." O máximo que solicitou, a mim e aos frades Fernando de Brito, Oswaldo Rezende e o ex-dominicano Ivo Lesbaupin, foi conversar com os atores sobre a nossa experiência na guerrilha urbana e na prisão. Li o roteiro de Dani Patarra, considerei-o excelente, mas preferi não opinar.

Em março, no Festival de Brasília, vi o filme pela primeira vez. Fiquei transtornado: arrancou-me lágrimas, reavivou-me a indignação contra o arbítrio, ativou-me as teias da emoção, enlevou-me pela trilha sonora, fez-me agradecer a Deus pertencer a uma geração que, aos 20 anos, injetava utopia nas veias. Fiquei embevecido frente à força estética das imagens produzidas pelo talento de Helvécio Ratton. O Festival de Brasília concedeu-lhe os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia (Lauro Escorel). No Festival de Tiradentes, a platéia de mais mil pessoas, a maioria jovens, expressou a emoção em prolongadas palmas.

A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Este é um filme a ser visto especialmente por quem não viveu os anos de chumbo. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido, resgatado à democracia pelos filhos que, por amor e esperança, e sem temer a própria morte, não fugiram à luta.

"Batismo de Sangue" é um hino à liberdade. Nele se revela a história recente de uma nação e a fé libertária de um grupo de cristãos. Emerge, contundente, a subjetividade dos protagonistas, como frei Tito, em quem se transubstanciou a dor em amor, o sofrimento em oblação, as algemas em matéria-prima desta invencível esperança de construirmos um mundo em que a paz seja filha da justiça, e a felicidade, sinônimo de condição humana.

Frei Betto, aqui

Veja aqui a apresentação do filme baseado no livro com o mesmo nome.

Aqui encontrará o site do filme e aqui uma notícia sobre o dia em que os frades dominicanos, ordem a que pertence Frei Betto, foram assistir.

terça-feira, fevereiro 27

ÓSCAR


O último rei Foto@EPA/Paul Buck


O actor Forest Whitaker exibe a estatueta dourada para melhor actor conquistada com a representação no filme "O Último Rei da Escócia". Este é um dos momentos desejados por todos os actores, mas só alguns conseguem erguer o Óscar.

sábado, fevereiro 17

BERLINALE

Berlinale Foto@SAPO/Paulo M. Guerrinha

A 57ª edição da Berlinale, festival de cinema realizado em Berlim, começou, este mês, na Potsdamer Platz (na foto). Ao longo de 10 dias os 22 filmes que disputam o Urso de Ouro, e outros quatro que estão de fora da competição, vão estar em exibição nas salas de cinema deste espaço. O grande vencedor será anunciado no dia 17 de Fevereiro. A Praça de Potsdamer é uma conjugação de aspectos artísticos que fazem a fusão do antigo com o novo, numa atitude de modernidade sem esquecer o passado histórico de Berlim. Quem visitar Berlim tem que obrigatoriamente passar por aqui.

domingo, janeiro 28

Diamantes de Sangue

Há filmes que nos prendem aos pensamentos e nos deixam a pensar com é possível haver realidades tão crueis como a ganância do tráfego de diamantes feito pelos "ricos e intoleráveis" aos "pobres e miseráveis". Diamante de Sangue (Blood Diamond) retrata a realidade da Serra Leoa na década de 90 e conta a história de um mercenário sul-africano, Danny Archer (Leonardo di Caprio), que já tinha tido uma experiência em Angola integrado no Batalhão Búfalo e do pescador Solomon Vandy (Djimon Hounsou). Nascidos no mesmo continente têm histórias completamente diferentes mas com destinos unidos na procura de uma riqueza que provoca a dor e o sofrimento nos povos do seu continente. A saga das crianças soldados são denunciadas pela jornalista norte-americana Maddy Bowen (Jennifer Connelly), lindíssima, e que consegue, ainda, trabalhar para a descoberta dos verdadeiros culpados da venda dos diamantes sujos. Magnífico, este filme rodado em Moçambique, África do Sul e Serra Leoa, com canções de Yossou Ndour, deve ser obrigatório o seu visionamento por quem gosta de África e pensa que o continente negro pode ser o futuro da humanidade como foi o seu berço. Não pensarmos, como é dito no filme, que no continente africano tudo se passa no mais sangrento dos palcos porque tem que ser TIA (This Is Africa!). Não deve ser assim. África precisa de se levantar e caminhar sem interferências externas. Para bem de um mundo melhor.

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