Angola - 32 anos... e o futuro?
Hoje celebram-se 32 anos de independência com os olhos postos no futuro.
Foto de Tonspi
Água fresca... para ideias com sede...
Hoje celebram-se 32 anos de independência com os olhos postos no futuro.
Foto de Tonspi
Publicada por
ana b.
às
16:39
0
comentários
Etiquetas: Fotografia, História, Indagações, Informação
Publicada por
O Toke É Esse
às
04:00
0
comentários
Levei dez anos para escrever "Batismo de Sangue" (editora Rocco), de 1973, ao sair de quatro anos de prisão, a 1983. Reviver toda a saga de um grupo de frades dominicanos na luta contra a ditadura militar fez-me sofrer. Revirei a memória, fiz entrevistas e pesquisas, revisitei os locais dos acontecimentos, consultei arquivos. Sim, arquivos. O governo federal, comandado por dois ex-presos políticos (Lula na Presidência e Dilma Rousseff na Casa Civil), desconsidera a memória nacional ao não abrir os arquivos das Forças Armadas. Felizmente existem arquivos fora do controle militar. Sobretudo arquivos vivos, sobreviventes da grande tribulação.
Deu-me trabalho levantar os últimos momentos do líder revolucionário Carlos Marighella e o intrincado cipoal em torno de seu assassinato pela repressão, em 4 de novembro de 1969. E doeu-me descrever em detalhes a paixão e morte de frei Tito de Alencar Lima, levado ao suicídio em 1974, aos 28 anos, em decorrência das torturas sofridas nas dependências do II Exército, em São Paulo. Queriam forçá-lo a assinar confissões falsas e delatar pessoas. Não escutaram senão o silêncio daquele religioso que sabia ser "preferível morrer do que perder a vida", como escreveu em sua Bíblia.
Um dia dei o livro a Helvécio Ratton, que também militou na resistência à ditadura e esteve exilado. Escrevi na dedicatória: "Helvécio, a vida supera a ficção". Diretor de cinema, ele tomou a si o desafio e levou às telas "Batismo de Sangue", que estréia a 20 de abril. As cenas - ambientação precisa dos anos 60 - foram rodadas no Brasil e na França. Integram o elenco Caio Blat (no papel de Frei Tito), Ângelo Antônio (frei Oswaldo), Léo Quintão (frei Fernando), Odilon Esteves (frei Ivo), Daniel de Oliveira (que me interpreta), Marku Ribas (Carlos Marighella), Marcélia Cartaxo (Nildes), Cássio Gabus Mendes (delegado Fleury) e outros.
Filmes nem sempre retratam adequadamente os livros nos quais se inspiram. Em geral, a literatura ganha em profundidade da arte cinematográfica, obrigada a condensar-se num par de horas. O livro, traduzido para o francês e o italiano (e, em breve, para o espanhol), merecedor do mais conceituado prêmio literário do Brasil, o Jabuti, atrai o interesse dos leitores desde sua publicação há 24 anos. Falei ao Helvécio: "Livro é livro, filme é filme; não quero interferir." O máximo que solicitou, a mim e aos frades Fernando de Brito, Oswaldo Rezende e o ex-dominicano Ivo Lesbaupin, foi conversar com os atores sobre a nossa experiência na guerrilha urbana e na prisão. Li o roteiro de Dani Patarra, considerei-o excelente, mas preferi não opinar.
Em março, no Festival de Brasília, vi o filme pela primeira vez. Fiquei transtornado: arrancou-me lágrimas, reavivou-me a indignação contra o arbítrio, ativou-me as teias da emoção, enlevou-me pela trilha sonora, fez-me agradecer a Deus pertencer a uma geração que, aos 20 anos, injetava utopia nas veias. Fiquei embevecido frente à força estética das imagens produzidas pelo talento de Helvécio Ratton. O Festival de Brasília concedeu-lhe os prêmios de Melhor Direção e Melhor Fotografia (Lauro Escorel). No Festival de Tiradentes, a platéia de mais mil pessoas, a maioria jovens, expressou a emoção em prolongadas palmas.
A arte brasileira adianta-se ao governo e escancara os bastidores da ditadura. Este é um filme a ser visto especialmente por quem não viveu os anos de chumbo. Ali está o estupro da mãe gentil, gigante entorpecido, o Brasil sem margens plácidas, arrancado do berço esplêndido, resgatado à democracia pelos filhos que, por amor e esperança, e sem temer a própria morte, não fugiram à luta.
"Batismo de Sangue" é um hino à liberdade. Nele se revela a história recente de uma nação e a fé libertária de um grupo de cristãos. Emerge, contundente, a subjetividade dos protagonistas, como frei Tito, em quem se transubstanciou a dor em amor, o sofrimento em oblação, as algemas em matéria-prima desta invencível esperança de construirmos um mundo em que a paz seja filha da justiça, e a felicidade, sinônimo de condição humana.
Frei Betto, aqui
Veja aqui a apresentação do filme baseado no livro com o mesmo nome.
Aqui encontrará o site do filme e aqui uma notícia sobre o dia em que os frades dominicanos, ordem a que pertence Frei Betto, foram assistir.
Publicada por
ana b.
às
23:55
0
comentários
Etiquetas: Cinema, História, Informação, Os nossos heróis
Um homem trabalha entre alguns dos 2711 blocos de granito do Memorial do Holocausto, no centro de Berlim.
Idealizado pelo arquiteto americano Peter Eisenman, o memorial recorda os 6 milhões de Judeus mortos pelos nazis durante a IIª Guerra Mundial.
Veja uma descrição deste memorial aqui, aqui e aqui.
Publicada por
ana b.
às
01:35
3
comentários
Etiquetas: Fotografia, História, Informação
Indignados com a sua situação profissional, e com uma guerra controlada mas sem fim à vista nas colónias africanas, os capitães das forças armadas, na altura extremadamente politizados, desencadearam uma mudança de regime que atingiu a sociedade portuguesa como um terramoto.
Um natural movimento de pêndulo fez-se então sentir na sociedade portuguesa que virava agora à esquerda - uma esquerda extremada e sonhadora -, com uma inércia em movimento contrário àquele em que vivera durante quase 50 anos de ditadura direitista salazarenta.
Com todos os defeitos de que enfermam as democracias modernas (a democracia é o menos mau de todos os sistemas políticos), o ordenamento político-jurídico-institucional português pode ser considerado um caso de sucesso, um orgulho nacional.
Publicada por
O Toke É Esse
às
02:02
1 comentários
Etiquetas: História, Opinião - Actualidades
Ouça na Rádio Vila Morena e leia aqui
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.
Em silêncio, amor
Em tristeza, enfim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder
Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
José Niza
Publicada por
ana b.
às
00:00
1 comentários

Estas figuras representam as marcas com que os escravos angolanos eram ferrados pelos seus donos, como se de animais se tratasse.
Ondulando a bandeira do cristianismo, os portugueses chegaram a Angola em 1483 tendo, na verdade, como finalidade o agenciamento de milhões de escravos para as Américas.
Após o estabelecimento dos portugueses na costa de Luanda, o comércio de escravos e de marfim tornou-se a sua principal actividade, começando para o efeito as campanhas militares para o interior de modo a capturar e vender africanos.
Os horrores da escravatura deixaram marcas indeléveis em Angola. Durante mais de 300 anos, cerca de 4 milhões de escravos angolanos foram enviados para as plantações do Brasil e para as minas do México. 30% de todos os escravos iam de Angola. De todos os capturados no interior de Angola, só um quarto chegava vivo ao outro lado do Atlântico. Em três séculos de comércio esclavagista em Angola, estima-se que 12 milhões morreram.
O comércio de escravos teve um papel muito importante na história de Angola, e entre o séc. XV e o séc. XIX, os africanos eram trocados por armas, pólvora, álcool, e outros artefactos.
A partir de dois portos chave, Luanda e Benguela, o comércio esclavagista floresceu. Em Benguela, ficaram famosos os "quintalões", onde os escravos eram mantidos presos.
(Quintalões em Benguela)
No séc. XVI, Luanda tornou-se o centro da presença portuguesa em Angola. Ligada directamente ao comércio de escravos levados para o Brasil, transformou-se no final da viagem das "caravanas" de escravos vindas do interior. Vários edifícios são ainda a memória desse tempo: o porto, fortes, igrejas e capelas, mercados, quintalões, mas também os lugares de resistência e refúgio, de pessoas que se tinham tornado mercadoria para os europeus, vendidas no Terreiro Público.
No séc. XIX, D. Ana Joaquina torna-se a maior comerciante de escravos de Angola, a par de outros negócios.
(Palacete de D. Ana Joaquina, Luanda)
Já a Igreja desempenhou também um importante papel na "cristianização" dos escravos, que tinham de ser baptisados antes de serem levados para os navios negreiros como carga, passando a simbolizar a opressão e a oposição às religiões e práticas animistas africanas e mantendo-se como um testemunho da violência da escravatura.
A partir de 1840, os colonos brancos avançam para o interior, depois de fortes rumores acerca das riquezas fabulosas de minerais e também da terra fértil para a agricultura. Para assegurar a terra, Portugal então envia forças expedicionárias, que se prolongam por cerca de 100 anos. Inicialmente, houve forte resistência dos habitantes locais, que para o final sucumbiram à força de fogo dos invasores. O resto da história, alguns de nós presenciámo-la...
Ver aqui informação interessante. E, já agora, vejam este documento.
Publicada por
ana b.
às
23:59
0
comentários
Etiquetas: História
Não sei como dei com este texto, mas como acho que pode ser um bom tema de discussão, aqui fica:
Publicada por
ana b.
às
20:04
3
comentários
Etiquetas: História
Carregue aqui para ouvir online.
