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quarta-feira, novembro 28

Soco no estômago - Miss Landmine Angola 2008



Se bem que consiga entender que este concurso possa ser uma forma de sensibilização para o que o manifesto do referido site refere: entre outros, a consciencialização local e global sobre as minas terrestres, um desafio aos complexos de inferioridade e culpa, o questionar o que é um corpo perfeito, a substituição do termo "vítima" pelo de "sobrevivente", ou uma forma de "empowerment" e renovação do orgulho feminino, não pude deixar de sentir esta estratégia como uma agressão - um soco no estômago.

Como prémio, a candidata ganhadora terá uma prótese "norueguesa"!

Não sei se choro!
Não haveria nenhuma outra alternativa para que milhares de "sobreviventes" desse flagelo pudessem ter a oportunidade de "ganhar" uma prótese?

6 comentários:

Ailton Rod disse...

Vejo como uma azeda ironia. Um soco no estômago, sim. Mas penso que tem que ser assim. Fiquei surpreso mas tendo a dar força para a iniciativa.

Ana B. disse...

Ailton
Reconheço algum mérito na ideia, mas há outras formas, talvez menos visíveis, mas mais eficientes para se chamar a atenção sobre o problema.
A mim cheira-me a promoção individual do "norueguês" e a "caridadezinha".
Obrigada pela sua visita.
Um abraço

Carlos Tronco disse...

1) A Noruega deveria continuar a exportar bacalhau
2) Cada infeliz dos nossos conterraneos devia ter o direito a dignidade sem ter que "merecer" a caridade
3) Nos os pretendidos civilisados continuamos a fabricar e vender minas antipessoal
4)Não sobrarão uns litritos de potroleo off shore para financiar o dever de cada estado digno desse nome: o bem estar das populações civis?
5) As minhas desculpas Ana, mas ele ha coisas...

Ana B. disse...

Carlos
Ora bem, tocaste direitinho na ferida!
Bem vindo...
Beijos

maria fro disse...

Ana, não resisti e transferi tua questão para o blog da minha coleção de história, pra problematizar a questão com os professores e alunos, veja lá no post de 04/12
www.historiaemprojetos.blogspot.com

abraços
Conceição

ana b. disse...

Maria Frô
Agradeço tua deferência.
Esta é uma questão difícil de consenso.
Na minha modesta opinião, e seguindo o velho ditado - "Uma andorinha não faz a primavera" - uma mulher com uma prótese não chega para denunciar as milhares de mulheres, homens e crianças que em qualquer parte do mundo se vêem incapacitados por culpa da guerra, que nunca é deles. Eles são mesmo as vítimas, por muito sobreviventes que sejam.
Abraço

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